sábado, 10 de janeiro de 2015

Guerra entre fabricantes deixou as novas TVs muito complicadas

Em uma nova guerra por território, a exemplo dos smartphones, fabricantes como Sony, LG, Panasonic, Google e Sharp deixam o mercado confuso para o consumidor.



Buscando se diferenciar dos rivais em um mercado concorrido, as principais fabricantes do segmento estão adicionando aplicativos, serviços de streaming e guias personalizados de TV para os seus modelos mais novos. Elas dizem que estão tentando tornar as TVs mais simples para os consumidores, mas ironicamente estão provavelmente apenas deixando tudo mais confuso.
A CES 2015 pode ficar para a história como o momento em que os aparelhos de TVs ficaram mais complicados do que deviam.
Diferentes fabricantes adotaram diferentes sistemas operacionais. Assim, como no mercado de smartphones, nem todo app ou serviço estará disponível em toda TV. Algumas também se conectam com serviços de TV a cabo ou por satélite, mas o suporte não é universal, o que contribui para mais confusão.
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Em demonstrações na CES, suporte para serviços como YouTube e Netflix pareceram universal em quatro plataformas rivais. Mas não ficou claro se outros serviços como HBO Go, Amazon Video, esportivos como MLB TB e NBA TV, ou plataformas de TV como Fox Now ou ABC On Demand estarão disponíveis como apps em todas as TVs no lançamento ou até o final do ano.
A situação acontece em parte porque muitas fabricantes de TV estão entusiasmadas para evitar que o Google torne-se tão dominante nas TVs quanto é nos smartphones.
O Google, que possui a sua própria plataforma Android TV, é um desses concorrentes, mas existem pelo menos outros três. Se livrar do domínio do Google também permite que essas fabricantes coloquem seus aplicativos em destaque na tela, e que potencialmente ganhem receita com a venda de serviços de vídeo sob demanda.
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A Samsung, maior fabricante de smartphones e TVs de tela plana do mundo, já mostrou seu suporte ao Tizen, um sistema operacional desenvolvido com a Intel que não teve muito sucesso até agora. A LG, outra grande fabricante de TVs da Coreia do Sul, possui o seu próprio sistema operacional chamado Web OS – que foi originalmente desenvolvido pela Palma, que então o vendeu para a HP, que depois fez o mesmo para a LG.
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A Panasonic, por sua vez, está usando o Firefox OS, desenvolvido pela Mozilla, que é responsável pelo navegador Firefox, e já presente em alguns smartphones de entrada.
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A entrada do Google no mercado vai acontecer em breve por meio de TVs da Sony e da Sharp. As TVs rodando a plataforma Android TV conseguirão acessar conteúdo por meio da loja Google Play e rodar aplicativos Android que foram otimizados para exibição nas TVs. Um porta-voz da Sony afirmou que as TVs vão acessar uma loja dedicada de aplicativos otimizados para TVs – por isso, nem todo app Android estará imediatamente disponível.

As TVs da Sony também possuem uma parceria com a operadora norte-americana de TV a cabo Dish Network, permitindo acesso rápido aos consumidores para os canais da empresa por meio da interface principal da TV. As TVs da LG possuem um acordo parecido com a DirecTV e também estavam trabalhando com uma operadora local de Las Vegas.
Então com uma batalha no estilo dos smartphones migrando para o mercado de TVs, fica apenas uma pergunta: cadê a Apple?
A companhia de Cupertino lançou a sua set-top box Apple TV em 2007, mas desde o início o então CEO, Steve Jobs, definiu o segmento como um “hobby” para a empresa – um projeto que ajudaria a empresa a descobrir como os mundos da Internet e da TV se fundiriam, mas sem representar uma ameaça séria para a TV a cabo ou via satélite.
A Apple finalmente parou de chamar a Apple TV de hobby em 2014, quando a empresa disse que todo esse seu segmento de negócio – incluindo a venda de Apple TVs e conteúdos pela iTunes Store – superaram 1 bilhão de dólares em rendimento em 2013.
A Apple não participa da CES, por isso não aconteceram atualizações em sua estratégia nesta semana, mas é improvável que a empresa esteja a disposta a ficar de lado se o mercado de TVs iniciar uma mudança significativa. Poderá, quem sabe, até dar margem aos eternos rumores de um televisor com o logo da “maçã”.
(IDGNOW)