sábado, 15 de fevereiro de 2014

"Hormônio da juventude" para plantas pode ajudar no combate à fome

O cientista Shimon Gepstein, do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), desenvolveu um mecanismo genético com o objetivo de prolongar a vida das plantas. 

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Os testes foram feitos em plantações de tabaco, arroz, tomate e trigo
Foto: Miriam Cardoso de Souza

Para isso, ele usou o "hormônio da juventude": a citocina. O processo estimula a autorreprodução e pode incrementar o cultivo de plantas em áreas áridas, além da produção de alimentos.
Segundo a BBC Brasil, o biólogo explicou que as plantas envelhecem e morrem quando o nível desse hormônio está baixo, por isso, o recurso é programado para elevar o nível de citocina quando ele tende a baixar. De acordo com Gepstein, a biomassa dos vegetais também aumenta, fazendo com que eles produzam frutos mais resistentes e em maior quantidade.

"Em vista da crise global dos alimentos que tende a se agravar, o mecanismo que desenvolvemos pode ser muito útil para combater a fome no planeta", comentou o pesquisador, que disse ter descoberto "por acaso" que as plantas que passam pela intervenção genética são mais resistentes à seca.

Esqueci de regar as plantas, na quais já havíamos aplicado o novo mecanismo hormonal, por três semanas. Elas ficaram expostas ao sol durante esse período, e quando me lembrei tive certeza que já tinham morrido. Foi quando fiquei muito surpreso ao constatar que elas estavam intactas, haviam sobrevivido sem água e não sofreram quaisquer transformações", contou Gepstein.

Experiências bem-sucedidas

Com o incidente, o cientista passou a regar as plantas com 30% da quantidade de água que geralmente é necessária para os vegetais normais e ainda assim elas continuaram crescendo, o que leva o biólogo a crer que o mecanismo também pode ser "a resposta para o problema da escassez de água no planeta". O departamento de Biologia do Technion já fez experiências em plantas de tabaco, arroz, tomate e trigo - todas foram bem sucedidas, segundo o biólogo.

O próximo passo de Gepstein é descobrir de que forma o desenvolvimento das plantas pode contribuir para a produção de biocombustível. De acordo com as pesquisas iniciais, "a resistência das plantas a escassez de água possibilita que o biocombustível seja cultivado em áreas áridas, e assim poderemos poupar as áreas férteis para a produção de alimentos."

(ECOD)