segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dez substâncias capazes de envenenar e que podem ser bem comuns no seu cotidiano

A entidade norte-americana especializada em saúde ambiental Environmental Working Group (EWG) apontou que alguns produtos comuns, utilizados no dia-a-dia, podem conter substâncias em sua composição capazes de poluir o meio ambiente e levar os hormônios do corpo humano à diversos distúrbios.


Segundo a organização, os materiais utilizados diariamente possuem disruptores endócrinos - substâncias que agem como hormônios no sistema endócrino e causam alterações na função fisiológica, podendo, por exemplo, induzir ou inibir a produção de um certo hormônio.

Listamos dez produtos que estão, de acordo coma pesquisa, entre os principais desreguladores hormonais:

1. Bisfenol A ou BPA

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Foto: AmandaMay

Utilizado na composição de plásticos rígidos, transparentes e na produção da resina epóxi (faz parte do revestimento interno de latas que acondicionam bebidas e alimentos), o Bisfenol é o grande vilão do policarbonato. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu proibir no Brasil, em 2011, a venda de mamadeiras de plástico que possuem essa substância.

O BPA tem o poder de enganar o corpo, que acredita que a substância é um hormônio real. A composição tem sido associada a tipos de câncer, problemas reprodutivos, de obesidade, puberdade precoce e doenças cardíacas.

2. Dioxina

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Foto: osciozo

A dioxina é um subproduto derivado de processos industriais, a exemplo da produção de cloro, técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas. Essa substância acumula no corpo humano e na cadeia alimentar, inclusive no bife que é ingerido no almoço. A dioxina é um poderoso agente cancerígeno e pode afetar também os sistemas imunológico e reprodutivo.

3. Atrazina

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Foto: _Raúl_

Os pesquisadores da EWG descobriram que o herbicida chamado atrazina pode, mesmo em baixos níveis de exposição, transformar rãs machos em fêmeas. A substância, que é muito utilizada nos cultivos de milho nos Estados Unidos, tem contaminado a água potável, e tem sido associada a tumores da mama, puberdade atrasada e inflamação da próstata em animais.

4. Ftalatos

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Foto: André Pantoja

Todos os dias, milhões de células morrem no corpo humano, mas isso não é ruim. Ao contrário disso, significa um estado saudável, porque a renovação é natural. Porém o composto químico ftalatos pode desencadear a "sinalização da morte" em células testiculares, fazendo-as morrer mais cedo do que deveriam.

Os ftalatos, que são utilizados para dar flexibilidade aos plásticos, podem ser encontrados nos lugares mais comuns, diariamente, como cortina do box do banheiro, cabos elétricos, cobertura do chassi do carro e nos plásticos das portas. O composto químico também é associado a alterações hormonais, baixa contagem de esperma, espermatozóides menos móveis, defeitos congênitos no sistema reprodutor masculino, obesidade, diabetes e irregularidades da tireóide.

5. Perclorato

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Foto: Sidney Lima

O perclorato é um componente presente no combustível de foguetes, que também é usado em agrotóxicos que podem contaminar a produção de leite, de acordo com a EWG. A substância, que já foi encontrada no leite produzido por mulheres, quando absorvida pelo corpo compete com o iodo e outros nutrientes e, caso seja ingerida em altas quantidades, pode alterar o equilíbrio hormonal da tireóide.

6. Chumbo

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Foto: Ricardo Giaviti

O chumbo é considerado o material químico chave para a criação de baterias de carro (¾ de sua produção anual é destinada à indústria automotiva), além disso, ele é frequentemente liberado no meio ambiente através de processos de reciclagem informais, sem controle de segurança ambiental, e também pela atividade de mineração.

As principais formas de contaminação da substância se dão pela ingestão de alimentos ou água contaminados e por inalação de partículas de poeira da substância. Entre os efeitos da exposição ao chumbo estão os danos neurológicos, redução de QI, anemia, distúrbios nervosos, perda de controle muscular e, em graus elevados, até o óbito.

7. Arsênico

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Foto: Francisco de Souza Junior

O arsênio, que é empregado em processos de fundição de metais e na conservação de madeira, em seu estado elementar é um material cinza e sólido. A substância pode ser encontrada no meio ambiente combinada com outros elementos. Seus compostos geralmente formam um pó branco ou incolor que não tem cheiro ou sabor, o que dificulta a identificação da substância tóxica em alimentos, na água ou na atmosfera. Quando aquecido, é liberado no ar como poeira, e pode ser inalado por profissionais que trabalham expostos ao ar livre. O arsênio pode interferir no funcionamento normal do sistema hormonal glicocorticóide, que regula como o corpo processa açúcares e carboidratos.

8. Mercúrio

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Foto: narrativas

Usado em centenas de aplicações, da produção de gás cloro e soda cáustica à composição de amálgamas dentárias e baterias, o mercúrio assume sua forma mais ameaçadora à saúde humana durante o garimpo de ouro e pela queima de carvão, que libera a substância no mar.

O mercúrio é uma neurotoxina potente e pode causar danos irreversíveis ao cérebro. Entre os sintomas da contaminação estão dormência em braços e pernas, visão nebulosa, letargia e irritabilidade, problemas renais e intoxicações pulmonares, além de prejudicar o desenvolvimento fetal.

9. Produtos químicos perfluorados (PFC)

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Foto: tintas

Os compostos utilizados para a produção de produtos químicos perfluorados (PFC) são responsáveis também pela fabricação de panelas não aderentes (de teflon), tecidos, tapetes, revestimentos de papel e de cosméticos, e podem causar alterações na função da tireoide em homens e mulheres, de acordo com o estudo.

10. Éteres de glicol

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Foto: Adreson

Éteres de glicol são solventes comuns em tintas, produtos de limpeza, cosméticos e fluidos de freios. Segundo a pesquisa do EWG, ratos expostos a esses produtos químicos durante experimentos apresentaram redução dos testículos e da produção de espermatozoides. A União Europeia diz que alguns destes produtos químicos "podem prejudicar a fertilidade ou o feto".

(ECOD)