quarta-feira, 26 de junho de 2013

Jovem faz viagem pelo Brasil conhecendo escolas

O paulistano Caio Dib, 22, acabou de se formar em jornalismo. Com o dinheiro que vem juntando dos empregos que já teve, podia ter ido fazer uma viagem pela Europa para comemorar o ciclo que se inicia ou podia até ter se dado um presente.
Mas não. Ele resolveu viajar pelos rincões do Brasil conhecendo boas práticas em escolas, financiando a aventura do próprio bolso. Tem se hospedado em albergues ou hospedarias baratas, adotou a estratégia de fazer apenas uma boa refeição por dia e, desde março, quando a viagem começou, já rodou mais de 6.000 km usando avião, ônibus, carro e barco. Até agosto, quando a odisseia acaba, ele deverá ter visitado 50 cidades e mapeado 25 experiências em educação.

"Eu ouvia falar das escolas, mas não as conhecia de verdade", disse Caio, que vem se envolvendo com educação desde o ensino médio. Ele trabalhou na área de novos negócios da diretoria de tecnologia da Abril Educação, em alguns projetos de educomunicação e com redes sociais. "Quis conhecer o Brasil de fora do escritório", afirma o jovem, que pediu a especialistas indicações de experiências que deveria conhecer e montou um roteiro "totalmente aberto", como gosta de frisar. 

Assim, quando dá na telha, se tem uma oportunidade de conhecer mais uma prática, estende sua estadia. Se perceber que não vale a pena, encurta. Nesse meio tempo, pela janela do ônibus e com conversas fiadas, vai também entrando em contato com um Brasil totalmente novo para ele. "Se você não vai atrás, não conhece nada além do seu mundinho. Eu já vi animal morto pela seca, chão de terra, casa de taipa", diz.

Por enquanto, já visitou dez iniciativas educacionais. Conheceu, por exemplo, uma escola sustentável numa periferia de Belém, no Pará, a Emef Dr. Carlos Guimarães. Lá, a diretora, que é ex-aluna, fez um programa de reaproveitamento de água da chuva, criou uma horta e estimulou a reciclagem, o que mudou o ambiente da escola. 

No Rio Grande do Norte, conversou com pessoas do governo e conheceu as diretrizes da reformulação do projeto de EJA do estado - o currículo está sendo repensado por ocasião da comemoração dos 50 anos do método de alfabetização de Paulo Freire. Encantou-se com uma escola de uma comunidade rural em Pentecoste, Ceará, que usa a aprendizagem cooperativa como espinha dorsal das aulas.

Em cada novo projeto que visita, ele leva um objeto relevante da visita anterior. Apesar de encontrar práticas inovadoras em vários lugares, afirma o viajante, poucas estão conectadas com outras experiências. "Eu sempre peço para a escola um objeto que represente o trabalho que ela faz. Pode ser um livro, um ramo de planta da horta, um cd... Daí eu anoto os dados de quem foi o líder do projeto e entrego pra escola seguinte", afirma. "É uma tentativa de formar uma rede entre eles. Até porque eu já estou formando a minha", completa.

Além das escolas, Caio também está atento a personagens que tenham tido sua vida mudada, de alguma forma, pela educação. Foi o caso da tia da tapioca, que conheceu um dia no café da manhã do lugar onde estava hospedado. Aos 56 anos, Dona Dora quer fazer o Enem para concorrer a uma vaga em biologia porque "querer não tem idade, né?". Aos 10 anos, ela ensinou a mãe a ler e escrever. Aos 14, precisou abandonar os estudos para ajudar em casa. Mas em 2008, com os três filhos criados, voltou para a escola e agora está terminando o ensino médio. "Eu gosto de ouvir história de gente. Tenho conhecido pessoas incríveis", diz ele.

Todas as experiências relacionadas à educação estão sendo registradas no blog www.escolasdobrasil.blog.br - para mantê-lo, tem recebido uma ajuda de custo das revistas Educação e Escola Pública. As cidades que ele já visitou e ainda planeja visitar estão marcadas no mapa disponível no blog. Também é possível acompanhar a odisseia de Caio pelo Facebook, na página Caindo no Brasil.

Em poucos dias, Caio encerra sua travessia por cidades no Norte e no Nordeste e começa a desbravar o Centro Oeste. Sua expectativa é transformar tudo que tem visto, ouvido e sentido, além do blog, em um livro quando voltar para São Paulo, no segundo semestre deste ano. Quem quiser conhecer alguma experiência em educação que não deve deixar de fazer parte deste roteiro, pode deixar a sugestão no blog.

(Patrícia Gomes, Portal Porvir)