domingo, 26 de fevereiro de 2017

Estudantes de escola pública desenvolvem carregador portátil à base de energia solar

Embora a tecnologia avance cada vez mais, a ponto de os aparelhos de telefonia celular apresentarem mil e uma funcionalidades, também é verdade que as baterias ainda deixam muito a desejar - algumas precisam ser carregadas mais de uma vez ao dia. 

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Turma do curso técnico do CEEP com carregador de celular à base de energia solar
Foto: Evandro Veiga/CORREIO

Ao pensarem nisso estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional Isaias Alves (CEEP), no Barbalho, em Salvador, desenvolveram um carregador portátil à base de energia solar.

O invento foi apresentado na última semana de setembro, durante a Semana de Ciência e Tecnologia da escola. Desde segunda-feira, 52 projetos voltados à sustentabilidade e à qualidade de vida da população já foram apresentados e o dispositivo que une o sol ao “cel” foi um dos destaques da mostra.

Quem deu vida à invenção foi a turma do primeiro ano do curso técnico - o projeto foi encabeçado pelos amigos Bernardo Nogueira, 15 anos, Radhija Mendes, 14, e William Freitas, 15. “Há dois meses começamos a pensar em qual projeto apresentar na feira, mas a ideia do carregador só veio há duas semanas”, contou William ao jornal Correio.


Segundo ele, para desenvolver o protótipo, o grupo realizou várias pesquisas e descobriu que, para carregar o celular uma vez por dia durante um ano, gasta-se cerca de R$ 20. “Eu carrego meu celular três vezes ao dia, o que representa um gasto de R$ 60 (por ano). Nosso desafio era fazer uma tecnologia fácil, útil, não poluível e barata”, destacou o estudante.

Como funciona


O carregador é composto por um conversor de USB, reguladores de tensão e pequenas placas fotovoltaicas. Ao contrário das placas solares, que captam a luz solar, as fotovoltaicas captam as células presentes nessa luz. “Isso faz com que não precise necessariamente estar ao sol para o aparelho funcionar”, lembrou Radhija.


Bernardo, o idealizador da engenhoca, explica que ela é composta de três placas: uma positiva, uma negativa e uma neutra. “Quando a luz entra em contato com a placa positiva, ela esquenta e gera energia. Essa energia é distribuída no circuito interno e depois vem para o USB”, detalhou. “Aí, é só conectar o celular e, se estiver funcionando, a lâmpada de led irá ligar”, concluiu.

Desenvolvido às pressas, os estudantes não imaginavam que o projeto faria tanto sucesso. “No início, nosso estande estava vazio. Aí quando as pessoas chegaram e viram o que era, ficaram encantadas”, comentou William.
A feira faz parte do projeto Ciência na Escola, programa de educação científica da Secretaria da Educação do Estado (SEC), que está em sua sexta edição. “As feiras escolares são a primeira etapa do projeto. Depois, tem uma edição com a Bahia inteira”, afirmou a coordenadora do projeto, Shirlei Costa. A última edição ocorrerá em novembro, na Arena Fonte Nova, e contará com a participação de 542 escolas inscritas.

Apesar do sucesso, o carregador à base de energia solar não conseguiu se classificar para a etapa estadual, e por isso, também não estará presente na etapa baiana. “Agora o carregador ficará entre os três para aperfeiçoar”, explicou Radhija. “Se a gente conseguisse um patrocínio, iríamos patentear, trocar as placas fotovoltaicas e melhorar o circuito interno para diminuir o espaço”, contou ela. Por enquanto, a disputa é para ver quem irá levar o protótipo para casa.

Assista ao vídeo sobre o projeto dos estudantes:



(Fonte: ECOD)