quinta-feira, 21 de abril de 2016

UnB abre softwares para incluir deficientes intelectuais e autistas

A Universidade de Brasília (UnB) criou um portal para disponibilizar softwares de interesse pedagógico para o ensino de deficientes intelectuais (DI) e de autistas graves.

É o site Projeto Participar (www.projetoparticipar.unb.br). Iniciado como um trabalho de conclusão do curso de Licenciatura em Computação, o portal ganhou prêmio nacional em 2012. Agora a coordenação do projeto prepara o lançamento de e-books e vídeos, apresentando sugestões de novas práticas pedagógicas para serem usadas em sala de aula pelos licenciandos da Universidade Aberta do Brasil (UAB), consórcio de universidades públicas federais e estaduais.      

O objetivo deste projeto é facilitar a inserção e interação social desses alunos especiais para dar a eles autonomia especialmente para leitura funcional, horário de transporte escolar, medicação, aplicações práticas de transações monetárias no comércio e gestos sociais.  O projeto tem, por exemplo, um módulo para simulação de mensagens instantâneas de celular e para o ensino da utilização do aplicativo WhatsApp.
No Portal Participar, estão disponíveis três softwares. O "Participar", destinado à alfabetização de DIs. O "Somar", que foca em uma matemática social, com calculadora para efetuar compras, para o DI aprender sobre o uso de cédulas monetárias, além da utilização do uso do relógio digital para leitura incidental, que visa dar autonomia em relação a horários, especialmente com transporte, medicação, alimentação.
O terceiro software disponível no Portal Participar é o "Aproximar", em que são trabalhados gestos sociais com autistas na fase mais acentuada da síndrome para que eles possam responder com gestos como beijo, aceno de mão, sim e não com a cabeça ou um "joinha" com as mãos.
O professor Wilson Veneziano, coordenador do Projeto Participar para países de língua portuguesa e professor de Ciênciada Computação da UnB, adianta que em julho estará disponível a versão do Participar para tablets e celulares e que, no segundo semestre, estará disponível uma nova ferramenta chamada "Agenda Social, Clima e Vestuário".  Ainda, será lançado um software para o trabalho de atividades da vida diária, por exemplo, como fazer a barba, cortar as unhas, tomar banho, utilizar o absorvente feminino, escovar os dentes, manter o quarto organizado e como se portar em um restaurante a quilo.
Lei n. 12.764/2012
Para melhor se situar dentro do universo dos autistas no Brasil, o professor Wilson Veneziano lembra a recente homologação da Lei n. 12.746/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele comenta que, desde então, alguém com TEA passou a ser considerado uma pessoa com deficiência e começou a receber amparo legal. Isso incluiu tratamento do SUS, bolsas, auxílio do governo e acolhimento pedagógico pelas escolas.
"O autista requer um trabalho pedagógico específico, o que exige uma correta capacitação docente. Nesse sentido, esse material de apoio que está sendo produzido pela UnB/UAB (e-books e vídeos), apresentando sugestões de práticas pedagógicas, é raro no Brasil", diz Wilson. Ele ressalta que materiais semelhantes produzidos por países do hemisfério norte não são totalmente adequados ao contexto brasileiro. "Neve, frutas berry e vulcão não fazem sentido para um estudante brasileiro com DI ou autismo", explica o professor.
Neste caso, o aluno precisa ter uma relação afetiva com os materiais concretos expostos para que o trabalho proporcione melhores resultados educacionais. Wilson prossegue que é necessário aos educadores buscar aprender sobre a particularidade de cada tipo de deficiência. Isto porque a prática pedagógica para o estudante autista é completamente diferente daquela necessária para um DI. Por exemplo, um autista que não fala e possui dificuldade no campo de comunicação pode ter atividades cognitivas preservadas para lhe capacitar aprender línguas e ciências.
"É comum os DIs e os autistas se afeiçoarem com computadores, tablets e celulares e seu uso pode ser uma ferramenta pedagógica interessante para o professor", comenta Veneziano.
(AcheSeuCurso - Na foto: prof. Wilson Veneziano explica o funcionamento do portal. Crédito: UnB Flickr).