sábado, 27 de dezembro de 2014

Como uma pessoa solitária se comporta quando precisa ir às compras

Ela, simplesmente, prefere não ir. Quando vai, não costuma seguir a tendência da maioria.
O final do ano se aproxima e grupos de amigos começam a se organizar para a confraternização anual.

Pode até ser que alguns deles não sejam mais tão próximos, mas a possibilidade de comemorar as conquistas pessoais com alguém - a socialização - é importante para o ser humano. Algo de que talvez não nos dermos conta é que tantas outras pessoas se sentem e passam a maior parte do tempo sozinhas. 

O professor de Marketing da Escola de Graduação em Negócios de Stanford (Stanford GSB) Baba Shiv afirma que o mercado ainda não entende os hábitos de consumo dessas pessoas, principalmente em situações onde o "normal" seria estar inserido em um grupo.

Shiv, especialista em estudar a solidão ou a sensação de ser socialmente isolado, chegou à alarmente conclusão após uma pesquisa de campo: cerca de 25% das pessoas, hoje, se dizem solitárias. O percentual é maior do que no ano passado. "Por causa da mídia social, você acha que as pessoas estariam dizendo que estão menos solitárias do que antes", pondera o professor.

Com os dados em mãos, Shiv voltou-se para a questão de como a solidão afeta as decisões de compra. No recente estudo realizado com outros profissionais da Escola de Negócios da Universidade de Iowa e da Universidade da British Columbia, ele observou o tipo de filme que as pessoas solitárias escolhem para assistir no Netflix. Os participantes precisavam escolher, a partir de uma foto, descrição e classificação, supostamente média, do filme. Um grupo viu filmes classificados com 2,5 estrelas, enquanto o outro viu produções com 3,5. Depois de avaliar o quanto gostaram do filme e qual seria a probabilidade de alugá-lo, todos os participantes preencheram um questionário padrão sobre solidão.

A maioria das pessoas disse que gostaria de ver o filme com maior classificação. Os participantes que se identificaram como "altamente solitários" no questionário final, no entanto, estavam mais propensos a favorecer o filme com 2,5 estrelas.

O estudo sobre o Netflix foi inconclusivo, mas Shiv sugere que "as pessoas que não estão sós preferem ir com a maioria, enquanto que as solitárias preferem ir com a minoria".

Pessoas solitárias, Shiv acredita, estão geralmente confortáveis quando ficam isoladas e têm mais tranquilidade para escolher os produtos que se encaixam à sua identidade como parte de uma minoria. "Mas, em um ambiente social, elas se tornam tão preocupados com outras pessoas que seguem com o consenso", afirma.

Essa tensão público-privada, afirma Shiv, cria a possibilidade de uma discrepância preocupante entre as decisões de compra e preferências reais. "Se uma pessoa solitária faz uma compra em público, mas o consumo acontece em privado, pode resultar em enorme insatisfação", diz ele.

Ações online para os solitários

"Se um quarto do mercado-alvo é solitário, pode fazer sentido promover mais fortemente online", Shiv sugere. Pessoas solitárias podem fugir da agitação de lojas e cinemas e sentir-se mais confortáveis na privacidade de suas próprias casas, seja assistindo vídeos ou fazendo compras online.

Atingir o consumidor solitárias através de canais online oferece ainda outra vantagem. Shiv diz qual é: a capacidade de mostrar ofertas direcionadas. Através da mídia tradicional não é tão fácil atingir o consumidor solitário. Comerciantes online, por outro lado, podem personalizar sua mensagem com base em padrões de navegação e histórico de compras. Mensagens personalizadas, tais como "pessoas como você compraram este produto" - algo que o Amazon e Netflix já estão fazendo, funcionam especialmente bem para os consumidores solitários, acredita Shiv.

Fonte: administradores.com.br - 10/12/2014