sábado, 8 de junho de 2013

Cientistas descobrem que lêmures cavam tocas no solo para hibernar

Pesquisadores descobriram que duas novas espécies de lêmures, primatas típicos da ilha de Madagascar, hibernam, do mesmo que animais de climas temperados, como ursos, marmotas e esquilos. Os animais passam de três a sete meses dormindo em buracos cavados no solo da ilha do oceano Índico de clima tropical semi-árido, ao lado de Moçambique.


Até o estudo, realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, o único primata conhecido por hibernar como uma estratégia de sobrevivência era o lêmur pigmeu de cauda grande (Cheirogaleus medius), espécie que vive em árvores na costa oeste de Madagascar. Porém, os pesquisadores descobriram que duas outras duas espécies, Cheirogaleus crossleyi e Cheirogaleus sibreei, que habitam florestas tropicais no leste da ilha, hibernam após cavarem buracos no solo.

“São duas situações diferentes. A espécie do oeste vive em uma região de alta altitude e hiberna em buracos de árvores após armazenar gordura para sobreviver ao frio e à falta de alimento, do mesmo jeito que fazem outros mamíferos em áreas temperadas. Já no caso das duas espécies que habitam a floresta tropical, os animais hibernam em buracos no solo como estratégia de sobrevivência à falta de água e alimento durante o verão, mais quente e seco”, disse ao iG Marina Blanco, pesquisadora do Centro de Lêmures da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

A pesquisadora afirma que a descoberta representa que os lêmures, retratados geralmente como animais únicos e estranhos da ilha de Madagascar, são muito mais adaptáveis do que se imaginava previamente. “Esta capacidade em três espécies mostrou que estes animais formam um grupo muito mais flexível e adaptável do que imaginávamos”, disse Marina.

Os pesquisadores agora querem saber como os animais sabem quando e quanto tempo devem hibernar e também quais genes são expressados nestes animais quando eles hibernam. “Com isto será possível saber, por exemplo, se os humanos também têm estes genes relacionados com a hibernação”, afirma Marina.

Acorda, lêmure! – Para estudar a hibernação dos lêmures a equipe colocou uma coleira com chips sensíveis à temperatura em um lêmure no início da temporada de hibernação. Desta forma, era possível encontrar as tocas subterrâneas e controlar a temperatura corporal do animal durante a hibernação.

Como todo o animal que hiberna, os lêmures também apresentavam uma respiração mais lenta, tiveram uma queda da circulação sanguínea e da temperatura. Porém nos lêmures do oeste, que hibernam em tocas nas árvores, a temperatura varia até 20 graus do exterior. Já os do leste, mantém a temperatura corporal mais constante dentro dos buracos cavados no solo. “Talvez estes lêmures, mesmo vivendo nos trópicos, tenham a hibernação mais parecida com os animais de clima temperado”, disse Blanco.

 (Fonte: Portal iG)