terça-feira, 5 de março de 2013

Maioria das companhias acredita que mudanças climáticas podem comprometer faturamento


Cerca de 70% das companhias acreditam que as mudanças climáticas têm potencial para afetar significantemente seu faturamento, um risco intensificado por um abismo entre práticas corporativas sustentáveis de multinacionais e seus fornecedores, segundo pesquisa publicada na quarta-feira, 23 de janeiro, pelo Carbon Disclosure Project (CDP), ONG que combate as alterações bruscas do clima junto ao mercado corporativo, e pela consultoria Accenture.
 wind-t.jpg
Iniciativas de redução das emissões de gases-estufa têm sido adotadas por grandes companhias de todo o mundo
Foto: Vattenfall


O levantamento intitulado Reduzindo riscos e direcionando o valor dos negócios é baseado em dados de 2.415 empresas, incluindo 2.363 fornecedores e 52 grandes empresas compradoras (sete das quais brasileiras, membros do programa CDP Supply Chain). Esses membros (empresas compradoras) incluem companhias como Dell, L’Oreal e Walmart e representam um poder de compra combinado de cerca de US$1 trilhão. A pesquisa assinala a atualização anual mais abrangente do impacto das mudanças climáticas nas cadeias de fornecimento corporativas.

As mudanças climáticas representam riscos em curto prazo para os negócios. De acordo com o relatório, 51% deles associados a secas ou enchentes reportados pelas companhias participantes já têm efeito adverso nas operações das empresas, ou devem fazê-lo em cerca de cinco anos, segundo as próprias companhias.

51% dos riscos associados a secas ou enchentes reportados pelas companhias participantes já têm efeito adverso nas operações das empresas, ou devem fazê-lo em cerca de cinco anos.
Adicionalmente, a natureza destrutiva do clima extremo atua como um catalisador nas ações das empresas frente às mudanças climáticas, com o risco climático físico identificado pelo relatório como direcionador de investimento maior do que políticas climáticas.

Das 678 empresas que investem em iniciativas de redução de emissões, três quartos (73%) afirmam que acham que o clima apresenta um risco físico para suas operações.

Fornecedores despreparados

A maior parte das ações positivas que as companhias respondentes disseram tomar em resposta às mudanças climáticas é atribuída a organizações que têm utilizado o sistema global único do CDP por, ao menos, dois anos, demonstrando que a pressão do consumidor tem direcionado mudanças.

No entanto, o relatório identifica um hiato entre o desempenho de companhias e fornecedores e mostra que isso tem intensificado o risco climático nos modelos globais das cadeias de fornecimento.

Os fornecedores estão significativamente menos preparados que seus clientes para responder às mudanças climáticas, ameaçando potencialmente as relações com consumidores e aumentando a vulnerabilidade da cadeia de suprimento. Apenas 38% traçam metas de redução de emissões contra 92% das companhias compradoras.
Da mesma maneira, 27% dos fornecedores investem em atividades de corte de emissões, o que representa menos da metade das companhias membros do CDP Supply Chain.

Conforme esperado, esses membros compradores estão mais suscetíveis a obter resultados de suas práticas de negócios sustentáveis do que seus fornecedores, de acordo com a pesquisa. Os membros do CDP Supply Chain (empresas compradoras) estão mais que duas vezes mais próximos a alcançar reduções anuais de emissões (63% contra 29% dos fornecedores) e estão melhores posicionados para capitalizar benefícios financeiros do gerenciamento de carbono.

Enquanto 73% dos membros obtêm economias monetárias, como redução de gastos com energias graças a atividades de redução de emissões, apenas 29% dos fornecedores desfrutam destes retornos.
“Este relatório oferece evidências claras de que as empresas mais transparentes sobre os riscos das mudanças climáticas estão mais perto de atingir as maiores reduções de emissões”, constatou Gary Hanifan, líder de sustentabilidade global para supply chain da Accenture.

“Elas também estão mais próximas de obter economias financeiras graças a suas estratégias frente aos riscos das mudanças climáticas. Mas o retorno de investimento pelas companhias mais proativas não consegue alcançar todo seu potencial se elas não encorajarem seus fornecedores a seguirem seus passos”, acrescentou Gary.

O Carbon Disclosure Project (CDP) é uma organização internacional, sem fins lucrativos, que oferece o único sistema global para companhias e cidades mensurarem, reportarem, gerenciarem e compartilharem informação ambiental vital. O CDP trabalha com forças de mercado, incluindo 655 investidores institucionais com ativos de US$ 78 trilhões, com o objetivo de motivar as companhias a reportarem seus impactos no meio-ambiente e nos recursos naturais e tomarem providências para reduzi-los.

(ECOD)