terça-feira, 21 de julho de 2015

Morcegos são mais perigosos do que se pensava

Cientistas britânicos descobriram que morcegos africanos carregam mais vírus que representam perigo ao ser humano do que se imaginava.


A pesquisa da Universidade de Cambridge mostrou que o henipavirus, que provoca uma doença semelhante à raiva, é comumente encontrado entre os morcegos da espécie Eidolon helvum, encontrada na África.

O estudo publicado pela revista “Nature Communications” indicou ainda que, por ser de fácil transmissão para outros animais e humanos, esses morcegos oferecem um risco potencial aos humanos. Os mamíferos voadores tornam-se especialmente perigosos porque se reproduzem nas cidades, onde buscam alimentos.

Para o pesquisador e epidemiologista James Wood, ‘não há razão para pânico imediato’, no entanto. ‘Esses vírus são carregados pelos morcegos provavelmente há muito tempo. Mas eu acho que isso levanta questões sobre a vigilância sanitária e sobre os cuidados em evitar um contato que possa ocasionar uma possível transmissão’.

Reservatório de doenças – Os morcegos já são conhecidos por serem hospedeiros de vírus, alguns dos quais podem ser transmitidos para animais e humanos.

Doenças como a Sars (síndrome respiratória aguda severa) e a causada pelo vírus ebola podem ter origem nos morcegos. O vírus Mers (coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio), com alto grau de letalidade, também teria se originado nos morcegos.

Já se sabia que a espécie Eidolon helvum, do continente africano, era hospedeira de vírus causadores de várias doenças infecciosas. Só não se sabia que eram tantas.

Caso seja transmitido a outros animais e a humanos, pode ser mortífero. Segundo o professor Wood, ‘na Austrália o vírus se espalhou para os cavalos, e dos cavalos foi para veterinários que atendiam os animais doentes, o que acabou com várias vítimas’.

‘Na Malásia houve uma transmissão associada com porcos, em 1999, com mais de 100 criadores e funcionários de frigorífico mortos’, conta.

Já um terço deles hospedavam vírus do tipo Lagos. Segundo o professor Wood, não há evidências de que os dois vírus tenham sido transmitidos a humanos na África. Ele ressalta, no entanto, que a vigilância sanitária é precária no continente e possíveis casos podem ter deixado de ser notificados.

A equipe de pesquisadores sugere que é importante aumentar a vigilância. Caçar os morcegos, no entanto, não é a medida mais efetiva, até porque eles fazem parte do ecossistema, dizem.

‘Assegurar que os animais vivam em uma zona protegida é provavelmente a forma mais segura de direcionar os riscos, mais do que intervir e tentar fazer os morcegos’ deixarem algum determinado local, diz o professor Wood. 

(Fonte: G1)