domingo, 19 de julho de 2015

Estudo comprova que comportamento dos animais pode avisar sobre terremotos

A maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca – seja em Estudo comprova que comportamento dos animais pode avisar sobre terremotos, seja em humanos – um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea. Isso leva à chamada “síndrome da serotonina”, caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão.


A informação de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecida. Mas isso não havia sido documentado de maneira rigorosa e conclusiva, diz reportagem da agência Fapesp.

O fenômeno é semelhante à inquietação, facilmente perceptível em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentração de elétrons nas bases das nuvens também provoca um acúmulo de íons positivos na camada da atmosfera próxima ao solo, gerando um intenso campo elétrico no espaço intermediário.

As conclusões foram publicadas no artigo “Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes” (em tradução livre: Mudanças na atividade animal antes de um grande terremoto (M=7), nos Andes peruanos), da revista “Physics and Chemistry of the Earth”, que trata de uma pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil).

O brasileiro participou do projeto com uma pesquisa relacionada às alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, verificadas vários dias antes do terremoto Contamana, de magnitude 7, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011.

Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras. “Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, explicou o pesquisador.

Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número caiu para cinco ou menos por animal. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento foi registrado.

Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro.

Um distúrbio especialmente grande foi registrado oito dias antes do terremoto, quando o número de aparições dos animais caiu notavelmente.

“No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superfície, resultando na ionização maciça de moléculas do ar. Em algumas horas, os íons positivos assim formados alcançam a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quilômetros acima do solo. Esse aporte maciço de íons teria provocado as flutuações da densidade eletrônica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o trânsito subterrâneo das cargas positivas, devido a uma espécie de ‘efeito de ponta’, a ionização tende a se acumular perto das elevações topográficas locais – exatamente onde estavam localizadas as câmeras. Nossa hipótese foi que, para se livrar dos sintomas indesejáveis da síndrome da serotonina, os animais fugiram para áreas mais baixas, onde a ionização não é tão expressiva”, explicou Raulin.

Independentemente da observação do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previsão de terremotos poderia ser feita também mediante a detecção da quantidade de íons do ar, com o monitoramento do campo elétrico atmosférico.

“Já temos detectores instalados no Brasil, no Peru e na Argentina. E pretendemos, em breve, instalar sensores de campo elétrico atmosférico nos lugares propícios a atividades sísmicas importantes. Isso daria uma previsibilidade da ordem de duas semanas ou até mais”, afirmou Raulin, que explicou ainda que mudanças na ionosfera já haviam detectado com 12 dias de antecedência o terremoto do Haiti, em janeiro de 2010. 

(Fonte: UOL)