domingo, 12 de abril de 2015

Planta carnívora cria estratégia inteligente para capturar formigas

Uma planta que se alimenta de insetos nativa da ilha de Bornéu, na Ásia, é a prova viva de que não é preciso ter cérebro para ser mais inteligente do que a oposição.


Cientistas descobriram que a planta usa as variações climáticas para tornar sua superfície mais ou menos escorregadia, de modo a conseguir capturar e devorar grandes quantidades de formiga de uma vez só, em vez de se contentar com indivíduos isolados.

A planta estudada, da família Nepenthes, tem armadilhas no formato de jarros para capturar suas presas. Quando a borda da planta se torna úmida, ela fica extremamente escorregadia e as formigas que estejam andando na superfície caem e se tornam alimento da planta voraz.

Em dias quentes e ensolarados, porém, a superfície fica seca e se torna segura para os “visitantes”. Formigas isoladas descobrem e coletam néctar da planta, chamando em seguida toda a sua colônia para fazer o mesmo.

Um grande número de formigas marcha em direção à planta em busca de comida e acabam capturadas, pois, chegando lá, ela se torna escorregadia. Dessa forma, ao deixar as formigas “pioneiras” escaparem, a planta consegue capturar uma quantidade muito maior de presas de uma só vez.

Esperteza – Para controlar quando sua armadilha se torna escorregadia, a planta secreta um tipo de néctar que prepara a superfície para se tornar úmida por meio da condensação quando a umidade do ar está baixa. Isso ativa a armadilha justamente no período da tarde, quando muitos insetos diurnos ainda estão na ativa.

“Claro que a planta não é esperta no sentido humano – ela não pode planejar. No entanto, a seleção natural é implacável e só premia as estratégias mais bem-sucedidas”, diz a bióloga Ulrike Bauer, da Universidade de Bristol, que liderou o estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista “Proceedings of the Royal Society B”.

As plantas insetívoras geralmente crescem em habitats pobres em nutrientes, por isso precisam capturar presas para se alimentar. “O que superficialmente parece uma queda de braço entre ladrões de nectar e predadores mortais pode de fato ser um caso sofisticado de benefício mútuo, diz Ulrike. “Desde que o ganho de energia (comendo o néctar) for maior do que a perda de formigas operárias, a colônia de formigas se beneficia da relação tanto quanto a planta.”

 (Fonte: G1)