sábado, 11 de abril de 2015

Pesquisadores brasileiros criam plástico comestível que não vira lixo

Pesquisadores da Embrapa desenvolveram no interior de São Paulo um material que pode revolucionar as embalagens dos alimentos. É um plástico comestível, feito a partir de legumes e frutas.


O que fazer com a embalagem plástica dos produtos? “Põe no lixo”, sugere uma consumidora.

Os pesquisadores da Embrapa de São Carlos, no interior de São Paulo, encontraram uma solução melhor. Utilizaram como matéria-prima beterraba, mamão, maracujá. Os alimentos triturados e transformados em uma massa foram para a esteira de uma máquina que usa luz infravermelha para retirar a umidade. Em dez minutos, frutas, legumes ou hortaliças viram uma película comestível.

“Nós conseguimos desenvolver uma formulação que alia as propriedades de flexibilidade dos plásticos comerciais sintéticos com as propriedades nutritivas do alimento”, explica Luiz Henrique Mattoso, coordenador da pesquisa.

“Rende bem. Com um mamão dá para fazer três metros de filme”, diz Marcos Lorevice, pesquisador da Embrapa.

Sem petróleo e nenhum componente químico, o plástico comestível pode ser feito com sobras de alimentos e mantém as propriedades nutritivas graças aos conservantes naturais: óleo de canela e quitosana.

“A quitosana é uma substância extraída da casca do caranguejo e tem propriedades bactericidas, ou seja, ela mata bactérias e pode ser usada para aumentar o tempo de vida útil dos alimentos na prateleira”, revela Luiz Henrique Mattoso.

A película comestível é polivalente: dissolve fácil na água e pode ser consumida na forma de sucos e vitaminas.

Foram oito anos de trabalho para desenvolver o produto. Além dos filmes comestíveis naturais, os pesquisadores também misturaram corantes e aromas para criar novos sabores como cereja, menta e baunilha. No futuro, as embalagens plásticas servir de tempero para o frango, por exemplo, e no forno dissolver os ingredientes ou se transformar em sachês comestíveis para sopas e produtos congelados.

“Você pode produzir uma embalagem com alguma coisa que a criança não gosta, mas ela pode acabar consumindo aquilo que ela não queria de forma indireta”, destaca Marcos Lorevice.

Os voluntários que experimentaram aprovaram a novidade.

“É azedinho, tem o gosto do maracujá mesmo. Está aprovado”, diz uma mulher.

“Vai impactar menos o meio ambiente e ainda dar um gostinho a mais na comida”, conclui a estudante Luiza Helena de Miranda.

O plástico comestível deve chegar ao mercado em até dois anos. 

(Fonte: G1)