domingo, 5 de abril de 2015

Em Berlim, fazenda urbana e sustentável produz vegetais e peixes em larga escala

Desenvolver um meio de produção de alimentos em larga escala sustentável, que não necessitasse de tantos recursos e fosse menos poluente do que a agricultura tradicional. 

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Aquaponia alia a criação de peixes com a agricultura
Fotos: Clarissa Neher

Este foi o principal objetivo da criação do sistema de fazendas ECT, que inaugurou na sexta-feira, 6 de março, em Berlim (Alemanha), uma das maiores fazendas aquapônicas urbanas do mundo.

"A aquaponia, que combina a criação de peixes e a agricultura, é sistema antigo usado pelos astecas e chineses. O que nós fizemos foi profissionalizar a técnica para a produção comercial", destacou à BBC Brasil Nicolas Leschke, um dos criadores do sistema de fazendas ECT.

A partir de maio, os moradores de Berlim poderão comprar os primeiros legumes produzidos por esse sistema, relata a reportagem de Clarissa Neher. Os peixes criados no local, no entanto, estarão à venda a partir de outubro. A estufa de 1,8 mil metros quadrados construída no bairro de Schöneberg, ao sul da capital alemã, tem capacidade de produzir anualmente cerca de 35 toneladas de vegetais e 25 toneladas de peixe.

Água da chuva



Um dos diferenciais da fazenda ECT o é aproveitamento da água da chuva, que corresponde a cerca de 70% do total desse recurso utilizado no sistema. Além disso, esse uso é totalmente sustentável.

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Caixa com legumes e verduras custa 15 euros e é entregue no mercado

A água da criação de peixes é enriquecida naturalmente pelos resíduos produzidos pelos animais. Essa água rica em nutrientes, por sua vez, é usada na irrigação das plantas. O CO2 gerado na criação dos peixes também é "reciclado". Ao ser direcionado para a estufa, ele age com um fertilizante adicional para os legumes e vegetais.



"Por estarmos no meio da cidade não temos mais custos com transporte e nossos alimentos chegam mais frescos aos clientes", diz Robert Dietrich, um dos "farmerboys", como são chamados os funcionários do local.Outra grande vantagem da fazenda urbana é a proximidade do consumidor.

Cerca de cinco funcionários são necessários para tocar a fazenda, que combina o uso de um sistema computadorizado para irrigação e controle de temperatura com a plantação manual das mudas.

Atualmente estão sendo produzidos no local tomate, pepino, pimentão, berinjela, diversos tipos de salada, temperos e os chamados microgreens – pequenos vegetais ricos em nutrientes. O sistema, no entanto, pode produzir cerca de 400 espécies de plantas.

Inauguração lotada



A fazenda e o mercado foram inaugurados na última semana. O evento atraiu pessoas de todas as idades e potenciais clientes. Os produtos, no entanto, não serão comercializados avulsos como nos mercados e feiras tradicionais. Os consumidores precisam fazer uma assinatura para receber semanalmente uma caixa com diversos legumes e vegetais colhidos no local. Sua composição varia conforme a colheita.

Cada caixa custa 15 euros (pouco mais de R$ 50) e é entregue no mercado ao lado da estufa. A fazenda tem capacidade de produção inicial de 300 caixas por semana. Já os peixes serão retirados dos tanques de acordo com a demanda.

Kathrin Hoffmann que foi conhecer o projeto aprovou essa forma de agricultura e criação de peixes e pretende apoiar a iniciativa. "Os alimentos produzidos aqui são relativamente caros, mas de vez enquanto, para ocasiões especiais, dá para comprar a caixa de legumes e verduras", afirma.


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Mercado fica situado ao lado da estufa

Os produtos comercializados são orgânicos, inclusive os peixes que são alimentados apenas com ração orgânica. Além disso, não são utilizados pesticidas e fertilizantes químicos na produção dos vegetais.

A empresa ECT foi criada em 2012 e usou um container como protótipo para desenvolver a técnica aplicada na fazenda. A construção da estufa levou seis meses e custou mais de 1 milhão de euros (cerca de R$ 3,3 milhões). O projeto foi financiado por um fundo de capitais e um investidor privado. Uma segunda fazenda ECT já está sendo construída na Suíça.

Será que ideias semelhantes dariam certo aqui no Brasil?

ECOD