domingo, 28 de dezembro de 2014

Carreira: humanização da engenharia é caminho para a criatividade

O uso da lógica, quando levado ao extremo, desconecta o indivíduo das emoções, que são a essência da criatividade e da existência humana.


O dia a dia dos profissionais de tecnologia é bombardeado por problemas cada vez mais desafiadores, sejam engenheiros, especialistas ou analistas em geral. A formação em ciências exatas desenvolve o raciocínio lógico, cartesiano, do qual muitas vezes nós até mesmo nos orgulhamos: somos capazes de compartimentar os problemas, isolar variáveis e desenvolver soluções para cada um dos pedaços.
Por outro lado, como efeito colateral do raciocínio lógico, vêm os fatores limitantes. O uso da lógica, quando levado ao extremo, desconecta o indivíduo das emoções, que são a essência da criatividade e da existência humana. E se as soluções têm por objetivo final o homem, fica fácil concluir que uma solução puramente lógica se apresentará incompleta aos olhos dos nossos clientes.
Perfil "quadrado"
É neste momento que o mercado, e nós mesmos, nos impomos e aceitamos o rótulo de engenheiro “quadrado”, que não consegue ir além da lógica ou da melhor solução matemática. Mas ao olhar em volta e ver grandes empresas e startups de tecnologia transformando o mundo com seus conceitos criativos, começamos a pensar nos tipos de profissionais que circulam naqueles ambientes. E começamos a nos questionar o que nos impede de termos os mesmos atributos e habilidades.
Olhamos para aquelas pessoas que consideramos criativas e vemos que nosso estereótipo em nada se parece com o delas. Nossos costumes em nada se parecem com os delas. Nossos pensamentos em nada se parecem com os delas. 
Observando os diferentes perfis criativos, percebe-se a conexão destas pessoas com as emoções geradas em si mesmas e em seus interlocutores. Entender, portanto, que a razão nos leva a conclusões e que a emoção nos leva à ação (Donald B. Calne) é um grande divisor de águas. Este conceito está entranhado nos temas Design Thinking, Design de Serviços, User Experience, Business Model Canvas, Jornada do Cliente e diversas outras ferramentas modernas de design.
Emoção x lógica
Estas novas ferramentas, com destaque para o Design Thinking, têm gerado soluções cada vez mais impactantes, justamente pela sua abordagem centrada no ser humano e nos seus desafios do dia a dia. Este conceito está presente, por exemplo, nos apps que fazem sucesso resolvendo de forma simples os problemas comuns a milhões de pessoas.
No mundo físico, a cada dia surgem novos gadgets especializados em otimizar nossas vidas, como, por exemplo, echo, lançamento recente da Amazon, que interage vocalmente com o usuário para oferecer informações úteis no dia a dia da casa de forma prática, ou reproduzir a trilha sonora adequada para as mais diversas ocasiões.
Já quanto aos wearables, destaca-se o exemplo da Nike fuelband, uma pulseira da marca que revolucionou o conceito de monitorar as atividades físicas durante todo o dia e inspirou outras empresas a fazerem o mesmo.
Em telecomunicações, usamos estes conceitos para simplificar o dia a dia das empresas, apostando por exemplo no gerenciamento que usa Internet das Coisas (IoT) para monitorar os equipamentos dos clientes sem que eles precisem pensar em questões técnicas ou tecnológicas.
Todos estes exemplos evidenciam a conexão cada vez mais intensa entre a engenharia, a criatividade e o ser humano, cujo resultado tem contribuído para o uso mais inteligente dos recursos disponíveis, gerando qualidade de vida de forma responsável.
(* Vinicius Soares da Silveira é Gerente de Produtos da Leucotron Telecom)