domingo, 12 de janeiro de 2014

Cientistas descobrem variação mais agressiva do HIV


Pacientes infectados com nova forma do vírus desenvolvem Aids dois anos mais cedo. Recombinação genética do vírus preocupa especialistas.

Uma variação mais agressiva do vírus HIV foi identificada na Guiné-Bissau, na costa ocidental africana, por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia. A nova cepa se manifesta cerca de dois anos mais cedo do que as anteriores no corpo dos infectados.
Chamada A3/02, a variação foi descoberta em 2011 e faz parte de um estudo sobre a Aids. Desde então, só foi encontrada na Guiné-Bissau e é uma fusão das duas formas mais comuns do vírus na região.
- As pessoas que estão infectadas com a nova forma desenvolvem Aids dentro de cinco anos - afirmou Angélica Palma, uma das pesquisadoras do estudo ao "Al Jazeera". - Isso é cerca de dois a dois anos e meio mais rápido do que a outra variação do vírus da qual ela se originou.
A pesquisa aponta que linhagens recombinantes, criadas a partir da troca de material genético durante a divisão das células, são um motivo de preocupação.
- Alguns estudos indicam que os vírus recombinantes são mais agressivos do que as cepas parentais - disse Angélica.
Existem dois tipos principais do vírus HIV: HIV-1 e HIV-2, com o primeiro sendo mais comum. Mas dentro dessas duas categorias existem inúmeros subtipos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus pode sofrer mutações dentro de uma pessoa infectada.
Apesar do alerta, os cientistas afirmam que os medicamentos existentes ainda são efetivos contra as novas variações, independentemente da velocidade com que a Aids se manifeste.
- A boa notícia é que os medicamentos que estão disponíveis hoje são igualmente funcionais em todos os subtipos variantes - ressaltou Angélica.
A OMS estima que, atualmente, 35.3 milhões de pessoas estão infectadas com HIV em todo mundo. A doença ataca o sistema imunológico e a Aids se manifesta quando o nível de células brancas, responsável por combater as infecções, fica abaixo de 200. Muitas vezes gera complicações como pneumonia , tuberculose, diarreia e tumores.
Além da nova variação do vírus encontrada na África, os cientistas apontam que provavelmente existem cepas mais agressivas em regiões como a Europa e os EUA, onde há altos níveis de imigração.
- É altamente provável que haja um grande número de recombinantes circulando de que sabemos pouco ou nada - alertou Patrik Medstrand, professor de virologia clínica da Universidade de Lund.
(O Globo)
http://oglobo.globo.com/saude/cientistas-descobrem-variacao-mais-agressiva-do-hiv-10923202#ixzz2mKL6vFz4