segunda-feira, 1 de julho de 2013

Gorila albino foi fruto de relação consanguínea

O albinismo do único gorila branco conhecido, morto em 2003 no Zoológico de Barcelona, na Espanha, ocorreu devido à relação consanguínea de seus pais.
A conclusão é de um grupo de pesquisadores que estudaram e sequenciaram o genoma do primata por dois anos e meio no Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, informa a agência de notícias AFP.

A causa da anomalia, segundo a pesquisa, era o parentesco dos pais do gorila Floco de Neve. Por meio da análise dos cromossomos do animal, os pesquisadores descobriram que a origem de seu albinismo estava ligada a uma alteração do gene SLC45A2, transmitida pelo pai e pela mãe.

“O albinismo é uma anomalia recessiva [...] isto é, para ser albino, é preciso ter os dois cromossomos com a mutação do albinismo. Se você só tem um dos cromossomos, não é albino”, explicou o pesquisador Tomàs Marquès, um dos líderes do estudo. A pesquisa foi publicada na revista científica “BMC Genomics” .

O gorila chegou ao zoológico em 1966, após sobreviver graças ao massacre de seu grupo por caçadores na Guiné Equatorial justamente por sua pelagem incomum, segundo a agência AFP.

Durante mais de quatro décadas, o gorila branco, único no mundo, atraiu visitantes e cientistas ao zoo, e chegou a ocupar a capa da revista “National Geographic”. Até que um câncer de pele causado por sua anomalia genética acabou com sua vida, em 2003.

Os cientistas explicam que a consanguinidade é incomum entre os gorilas. Para o albinismo de Floco de Neve, Marquès explica que ocorreram duas circunstâncias: a existência em seu grupo de um membro com este cromossomo albino, provavelmente o avô, e o parentesco dentro do clã entre seus descendentes.
“Se este cromossomo foi passando de pais para filhos e, de repente, um tio e uma sobrinha cruzaram, é possível que ambos levassem o cromossomo albino e ocorresse a casualidade de passarem o cromossomo a Floco de Neve”, explicou.

Segundo a pesquisa, o genoma do gorila apresentava um grau de consanguinidade de 12%.

 (Fonte: G1)