quinta-feira, 6 de junho de 2013

Pressão social faz animais mudarem hábitos alimentares

O hábito de imitar os outros não se restrita apenas ao ser humano. Alguns animais seguem o mesmo padrão de comportamento, imitando o que o resto do grupo faz, para encontrar os melhores alimentos.


Na África do Sul, cientistas descobriram que os macacos vervet trocam de alimento apenas por pressão social, e baleias jubarte na costa dos Estados Unidos copiam um estilo de pesca, de acordo com dois estudos publicados no periódico científico Science .

O estudo corrobora a teoria que boa parte das raízes do comportamento humano pode ser encontrada no mundo animal, de acordo com Erica van de Waal, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, que liderou o estudo com os macacos. “Não somos singulares como gostaríamos de acreditar”, diz.

Em seu estudo, 109 macacos vervet que viviam em grupos na floresta tiveram a escolha de alimentos tingidos de rosa ou azul pelos pesquisadores. Uma cor para cada grupo teve a adição de babosa, que lhe dava um gosto estranho, porém inofensivo. Depois de algum tempo, a comida não tinha mais o ingrediente, mas os macacos evitavam a cor que achavam que estava estragada.

Mas isso mudava quando alguns animais tentavam se encaixar em um novo grupo. Os que gostavam de comida azul mudavam instantaneamente de preferência quando se encontravam com um grupo de comedores de comida rosa, mesmo que anteriormente eles evitassem a cor. Comedores de rosa também trocavam para azul, quando se encontravam com um grupo azul.

Esta pressão social pode ser algo parecido com o que adolescentes passam, para ser iguais ao grupo, explicou o coautor Andrew Whiten. Ou pode ser que os macacos estejam aprendendo a se adaptar ao costumes locais – na linha do ditado “Em Roma, faça como os romanos”.

Os pesquisadores se surpreenderam com o resultado; seu objetivo inicial era descobrir se as mães transmitiam aos filhotes suas preferências alimentares. A nova geração automaticamente comia o mesmo alimento que suas mães, mostrando que a escolha era realmente ensinada.

Mas por acaso, alguns macacos do grupos azuis se mudaram para grupos rosas, e alguns machos de grupos rosas mudaram de lado. E assim, os cientistas puderam ver como a pressão social acontece. De dez machos, nove mudaram instantaneamente de dieta. Apenas um, que mantinha a posição de alfa no grupo, manteve seu regime anterior.

Erica disse que poderia ser uma postura na linha “coma o que todo mundo come”, mas ela prefere a explicação da pressão dos pares. Em seu entendimento, os outros machos estavam tentando criar um bom relacionamento com as fêmeas, enquanto o macho dominante agiu como quis. “Afinal ele já está no comando da situação, não precisa agir como os outros.”

Baleias – No estudo com as jubartes, que durou 27 anos, os pesquisadores começaram a rastrear um comportamento de alimentação incomum em 1980. Até então, as baleias se alimentavam normalmente ao soprar bolhas de ar embaixo d’água, para encurralar peixes pequenos, que não gostam de nadar entre elas. Então, os cetáceos atacavam.

Mas naquele ano, os cientistas descobriram uma baleia que batia na água com sua cauda, fazendo um estardalhaçõ antes de soprar as bolhas, explicou Jenny Allen, a líder do estudo.

O número de jubartes que adotaram a prática aumentou constantemente, e agora já chega a 37%. O novo truque coincidiu com a queda no número de arenques, um dos alimentos preferidos das baleias. Jenny acredita que a técnica – que traz os peixes para mais perto da superfície – está sendo passada de geração a geração e que aparentemente, foi aprendida ao copiar o comportamento das baleias que eram mais bem sucedidas ao pescar.

Lori Marino, da Universidade Emory e que não fez parte dos estudos, elogiou os trabalhos, dizendo que eles se encaixam com outras pesquisas mostrando como os animais aprendem socialmente e como a conformidade pode ser forte até mesmo na natureza.

 (Fonte: Portal iG)