segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cientistas põem chips em formigas e descobrem divisão de funções

Cientistas da Universidade de Lausanne, na Suíça, analisaram formigas da espécie Camponotus fellah e descobriram que em uma mesma colônia, aquelas chamadas de operárias se dividem em três grupos sociais que desempenham funções diferentes: algumas trabalham como enfermeiras da rainha e dos filhotes; outras se ocupam com a limpeza da colônia, enquanto as demais saem em busca de comida.


Segundo o estudo publicado na revista “Science”, os biólogos marcaram com chips formigas de seis colônias, cada uma com mais de cem espécimes. Elas foram colocadas em recintos planos e sua movimentação foi gravada por uma câmera instalada em cima do recipiente.

Um computador reconhecia automaticamente a trajetória de cada uma delas. Foram mais de 41 dias de gravações, com a coleta de 2,4 bilhões de leituras e 9,4 milhões de interações entre as formigas.

A partir dessas informações, os pesquisadores descobriram que 40% das operárias eram enfermeiras, quase sempre ficando com a rainha e sua prole. Outros 30% das formigas eram responsáveis por reunir alimentos para a colônia, já que estavam quase sempre na entrada do ninho. Já os outros 30% restantes eram responsáveis pela limpeza e ficavam muito próximas de montes de lixo da colônia.

Mapa de calor – A equipe de pesquisadores liderada por Danielle Mersch criou um “mapa de calor” a partir dos equipamentos implantados nas formigas, que rastrearam a movimentação dos insetos. Esse mapa mostrou que as formigas enfermeiras e abastecedoras de alimentos quase não se misturam, mesmo que a entrada da colônia e o ninho fiquem próximos.

As responsáveis pela limpeza são as que mais se dispersam, patrulhando todo o local e interagindo com as outras duas “classes”. Segundo os cientistas, esse isolamento pode ajudar a evitar a propagação de doenças e parasitas.

‘Ascensão social’ e restrição de contato – Ainda segundo o estudo, as formigas “mudam de emprego” na medida em que envelhecem. As enfermeiras são normalmente exemplares mais jovens que as “limpadoras”, que, por sua vez, têm menos idade que as formigas caçadoras de alimentos.

As abelhas passam por transições semelhantes – saindo do posto de enfermeiras, que assumem quando têm menos idade, e rumam para o posto de reabastecedoras de alimentos quando mais velhas.

No entanto, o estudo publicado na “Science” ainda não deixa claro como funciona a transição de “cargos”, já que foi possível identificar formigas mais velhas nas funções que seriam, em princípio, para as mais jovens. 

(Fonte: G1)