quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cientistas fazem testes com células sanguíneas na Estação Espacial



 
Um experimento de laboratório enviado ao espaço há dois anos deu novas pistas sobre o esforço do sistema imunológico dos astronautas para se adaptar à gravidade zero, afirmaram cientistas militares americanos.

Os pesquisadores enviaram células encontradas nos vasos sanguíneos à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) e as deixaram lá durante seis dias. Depois, os astronautas introduziram as células em uma potente endotoxina lipopolissacarídea, que causa uma infecção sanguínea conhecida como septicemia.
Após seis dias no espaço, as células começaram a apresentar mudanças genéticas típicas da baixa imunidade característica da falta de gravidade, uma condição com frequência observada nos astronautas.
“Quando adicionamos o agonista (substância capaz de se unir a um receptor celular), elas não responderam muito bem”, relatou Marti Jett, diretor do Programa Biológico de Sistemas Integrativos no Comando Médico do Exército americano, que apresentou os resultados na conferência de Biologia Experimental 2013, que ocorreu em Boston.
Impacto na saúde – Os cientistas reproduziram a experiência na Terra para ver como a infecção progredia em condições de gravidade normal em comparação com a do espaço. O experimento deu novas pistas na busca para o tratamento da septicemia que, segundo os cientistas, afeta 750 mil pessoas por dia e pode ser mortal caso não seja tratada. A septicemia é uma das principais causas de morte pós-cirúrgica.
Pesquisas anteriores tinham mostrado como a permanência no espaço repercute na saúde dos astronautas, provocando desde perda de densidade óssea e muscular ao aumento do risco de desenvolver doenças como o mal de Alzheimer.
Além disso, durante o estudo os cientistas militares se deram conta de que os efeitos são similares entre as forças especiais dos Army Rangers, que apresentavam quedas em sua sua imunidade quando estavam sob estresse provocado por um regime de treinamento intensivo.
Segundo Saralyn Mark, consultora médica da agência espacial americana, que não participou do estudo, os médicos querem saber mais sobre o sistema imunológico para que os astronautas possam permanecer saudáveis em missões de longo prazo.
“O espaço é um ambiente maravilhoso para que micróbios floresçam, é como se estivessem voltando para casa, de alguma forma”, relatou. “Mas por outro lado, tem outra questão, a que o sistema imunológico está se enfraquecendo, que é uma equação muito difícil. Pode predispor a uma forte infecção”, acrescentou. “É o impacto da microgravidade? É o impacto da radiação no sistema imunológico? Estamos observando todos estes parâmetros para ver como o corpo se adapta”, concluiu. 
(Fonte: G1)