terça-feira, 14 de maio de 2013

Achado arqueológico revela as 77 ervas do “elixir da juventude”



 
Quase 80 ervas medicinais maceradas em álcool e ópio: essa é a receita original do elixir da juventude, um achado arqueológico que documenta a tradição alquimista de Praga e tem reconhecimento de seus efeitos benéficos.

O elixir foi descoberto durante a reconstrução de uma casa do bairro judaico, em pleno centro histórico da capital tcheca, cujas origens remontam ao século IX e que se salvou das ordenanças de saneamento ditadas pelos vereadores no século XIX, assim como das enchentes do verão de 2002.
Trata-se da “segunda casa mais velha de Praga”, afirmou à Agência Efe a guia Michaela Snajdrova, após explicar que necessitaram dez anos para devolver o brilho do passado para o lugar, que só pôde ser aberto ao público recentemente, e onde agora foi instalado o Museu Speculum Alchimiae (“Espelho da Alquimia”).
Assim, a receita original do elixir é exibida ao público em uma exposição permanente com um percurso no qual, além de seu recipiente original, estão os fornos dos alquimistas, despensas de plantas medicinais, a fábrica de vidro para os experimentos, assim como a sala de estudos e de boas-vindas. Outra curiosidade que é possível notar é a intrincada rede de condutores subterrâneos que uniam a casa com o Castelo de Praga e com a Praça da Cidade Antiga.
O efeito devastador das enchentes, que afundaram o chão da praça em frente ao edifício, deixou descobertos curiosos artefatos e notas escritas que documentam as atividades realizadas e revelam uma série de passadiços e oficinas de alquimistas.
“As notas estão em latim, alemão, tcheco e outros idiomas que não fomos capaz de decifrar”, comentou Snajdrova.
Entre os objetos resgatados figura uma garrafa de vidro verde e quase opaco, selada com cera, que foi datada nos tempos do imperador Rodolfo II de Habsburgo (1552-1612).
Após ser analisada pelos monges beneditinos de Rajhrad, que ainda hoje regem uma botica tradicional à base de ervas medicinais e tentam recuperar receitas esquecidas do Medievo, foram estabelecidos os 77 componentes do elixir, além do álcool e do ópio, para a juventude eterna.
“O elixir da juventude é utilizado a cada dia no amanhecer, tomando uma pequena colherada antes do café da manhã”, explicou Snajdrova.
Com um sabor que lembra a “becherovka” (feito a base de água de Karlsbad, álcool, açúcar e uma mistura amarga de 32 ervas medicinais e especiarias), o elixir “tem um efeito harmonizador sobre o organismo”, acrescentou. Snajdrova esclareceu que “na realidade é um licor de ervas com efeitos curativos”. Como exemplo, relata que um homem com uma úlcera de estômago ficou curado depois de tomá-lo.
Além de acolher a produção de elixires, a casa foi testemunha da incansável atividade desdobrada ao longo da Grand Via, uma rota comercial que na baixa Idade Média unia o reino de León (Espanha) com Cracóvia, Kiev e o Extremo Oriente.
“A Grand Via passava na frente da casa, por isso os alquimistas podiam adquirir facilmente ingredientes para seus experimentos”, detalhou a guia, em alusão a essas matérias-primas procedentes da Espanha, Áustria ou do Oriente.
Alquimistas trabalharam também no elixir do amor e da memória, e tentaram descobrir a pedra filosofal
A recuperada produção atual não foi, no entanto, ao pé da letra, levando em conta “as condições das constelações (astrológicas), como em épocas passadas”.

Os alquimistas trabalharam também em outras beberagens, como o elixir do amor e da memória, e trataram de descobrir a pedra filosofal para transformar os metais comuns em ouro e prata.
Combatida pela monarquia dos Habsburgo por considerá-la uma “porta do ocultismo”, a produção destas bebidas ficou confinada então aos porões com má ventilação do bairro judaico, já que a religião hebraica “era mais tolerante” com a alquimia.
Porém, a prática foi permitida durante o reinado de Rodolfo II, grande mecenas das artes, da astronomia e outros saberes, que transferiu a capital do Sacro Império Romano Germânico para Praga em 1583, explicou Snajdrova.
Muitas dessas receitas têm efeitos benéficos e são vendidas hoje aos turistas na antiga casa. Assim, afirmou a guia tcheca, o elixir do amor, que estão tentando reproduzir agora, na realidade não passa de um “Viagra natural”. 
(Fonte: Terra)