domingo, 10 de março de 2013

Espaçonave pilotada pelo pensamento vai melhor com dois cérebros


Mesmo nos filmes de ficção científica, espaçonaves são dirigidas através de consoles. Nos filmes mais recentes, os botões e joysticks foram substituídos por telas sensíveis ao toque, mas nada que se separe muito do que seria possível hoje.

Cientistas da Universidade de Essex e da NASA, contudo, acreditam que pode haver formas mais eficientes de dirigir uma nave - por exemplo, controlá-las apenas pelo pensamento.
As interfaces neurais têm ocupado um espaço cada vez maior nas pesquisas, até agora voltadas sobretudo para o controle depróteses robotizadas eexoesqueletos.
Os sensores menos invasivos, capazes de ler os sinais cerebrais através de "capacetes sensoriais", podem ser úteis em uma infinidade de tarefas, como controlar robôs industriais ou carros.
Esta é ideia da equipe do professor Riccardo Poli, em conjunto com engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.
Unindo as mentes
Quando os pesquisadores tentaram usar os capacetes sensoriais para controlar uma nave espacial, contudo, eles tiveram uma surpresa.
A conclusão bastante clara é que, quando se trata de pilotar uma espaçonave, então dois cérebros são melhores do que um só.
Usando a tradicional técnica de eletroencefalografia, os eletrodos do capacete capturam diferentes padrões nas ondas cerebrais, dependendo do foco de atenção do usuário.
O candidato a piloto espacial tinha que focar em um dos oito pontos direcionais ao redor do cursor, de forma a levar a nave em segurança por um circuito virtual.
Os resultados deixaram a desejar, mesmo depois do normalmente longo tempo de treinamento das interfaces neurais.
O professor Poli então teve uma ideia: mesclar os sinais neurais de dois "pensadores", interpretando os sinais depois que eles são fundidos, tudo em tempo real.
Tomada de decisão
O resultado foi muito mais promissor, já que o sistema continua estável mesmo quando um dos pilotos tem uma pequena interrupção na atenção.
A combinação de sinais também permitiu reduzir outros ruídos que afetam a eletroencefalografia, como os derivados dos batimentos cardíacos, respiração, engolir e atividade muscular.
"Quando você tira uma média dos sinais neurais de duas pessoas, o ruído é cancelado em larga medida," disse o pesquisador.
O resultado é que dois cérebros produzem uma trajetória mais precisa e mais estável para a espaçonave virtual.
O professor Poli afirma que o próximo passo é desenvolver formas de mesclar os dois sinais em condições de tomada de decisão.
Afinal, ninguém quer que a nave choque-se frontalmente com um asteroide só porque um dos pilotos queria desviar pela direita e outro pela esquerda.
 Inovação Tecnológica