Três
novas espécies de aranha que conseguem se camuflar na areia da caatinga
brasileira foram descobertas por pesquisadores e aparecem descritas na revista
científica “Zootaxa”.
Os
aracnídeos do gênero Sicarius, que tem espécies por toda a América do Sul,
foram encontrados por biólogos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
do Instituto Butantan, de São Paulo, em meados de 2011.
As
aranhas recém-descobertas têm pelos especiais espalhados pelo corpo que
conseguem prender grãos de areia ou terra. Com isso, ficam com a coloração do
solo onde estão.
Os trabalhos foram liderados por Ivan de Magalhães,
do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, que descreveu as aranhas como
parte de sua dissertação de mestrado. Segundo Magalhães, o interesse por uma
espécie descrita em 1936 ajudou na descoberta das espécies Sicarius cariri,
Sicarius diadorim e Sicarius ornatos. Diadorim é uma homenagem ao
personagem do livro “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa.
“Esses
aracnídeos ocorrem praticamente em toda a caatinga, bioma que ainda é pouco
estudado. Eles têm o hábito interessante de ficarem cobertos de areia,
camuflando seus corpos como forma de proteção contra ataques ou ainda como
preparação para encontrar sua refeição”, explica o pesquisador.
A
caatinga é a principal formação vegetal do semiárido nordestino e ocupa 10% do
território brasileiro. São mais de mais de 840 mil km² , espalhados por dez
estados. Nessa região, a estação das águas é concentrada em apenas três ou
quatro meses.
Outra
característica marcante das espécies é que as fêmeas produzem casulos para
depositar seus ovos, enquanto que os machos fazem teias onde depositam esperma
para a reprodução. “As teias só são utilizadas para reprodução”, diz Magalhães.
Veneno – De acordo com o pesquisador, as aranhas do
gênero Sicarius são parentes das aranhas-marrons, aracnídeos venenosos
conhecidos por sua picada necrosante.
“O veneno
das aranhas-marrons é de interesse médico, já que há uma proteína que causa
danos à circulação sanguínea e provoca uma espécie de gangrena. Essa mesma
proteína também pode ser encontrada no veneno do gênero Sicarius, mas não há
casos registrados de picadas dessas aranhas”, explica.
(Fonte:
Eduardo Carvalho/ Globo Natureza)

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