
O ataque de besouros a milhões de quilômetros quadrados de florestas de pinheiros já foi apelidado por um ex-secretário do Interior dos Estados Unidos como "Katrina do Oeste", sintetizando a visão comum do crescimento explosivo dos insetos como um desastre absoluto.
Alguns ambientalistas e cientistas defendem os besouros. Mesmo reconhecendo a gravidade dos problemas causados, eles argumentam que os insetos são um fenômeno natural e desempenham um papel ecológico vital.Ainda assim, seu avanço é assustador.
Besouros de pinheiros das montanhas afetam quase 26,3 mil quilômetros quadrados, um espaço que cresceu mais de 50% de 2007 para 2008. Se todos os tipos de besouros forem incluídos, o número sobe para 32,4 milhões de km2 – um nível de destruição não visto há 150 anos.Em defesa dos besouros - “Esse fenômeno não representa o fim das florestas”, diz Diana Six, enquanto caminha numa floresta infestada de besouros.
Ela é professora de etimologia e patologia florestais da Universidade de Montana, pesquisadora desse tipo de inseto há 16 anos. “O pinheiro Pinus evoluiu para ser destruído em eventos de substituição, como incêndios ou besouros, e então se regenerar rapidamente”, explica. “Quando eles atingem 80 ou 90 anos de idade, repentinamente os besouros se tornam participantes – as árvores estão grandes o suficiente para que ataquem.”Gregg DeNitto, especialista em saúde de florestas do Serviço Florestal local, diz que esses besouros não são invasores.
“É um inseto nativo em um hospedeiro nativo, e esses são processos biológicos normais que acontecem há milênios.”Nada pode – ou deveria – ser feito para brecar a disseminação do besouro, dizem. Depois que eles matam as árvores maduras, o solo fica mais fértil com o aumento dos níveis de nitrogênio, que chegam a triplicar.
A taxa de crescimento das árvores sobreviventes aumenta quando a infestação termina. Depois que as árvores mortas caem ou queimam, a grama cresce - criando hábitat para florestas mais diversificadas. Incendiários - Mas nem tudo é assim tão natural. A intervenção humana via desmatamentos em larga escala, por exemplo, torna muitas florestas vulneráveis. Em condições naturais, uma floresta é um mix de árvores de diferentes idades, o que significa que os besouros também se deparam com uma variedade de árvores mortas.
“Quando se deparam com uma parte jovem, eles desistem”, diz Diana. “Se é velha, continuam em frente. Mas nós perdemos esse mosaico, então agora eles sempre continuam em frente.”O principal elemento na epidemia atual, entretanto, é o clima mais quente, responsável por abrir novos territórios aos besouros. “As temperaturas mínimas absolutas de hoje estão mais altas”, calcula Steve Running, ecólogo da Universidade de Montana.
O aumento nos mínimos é importante porque, em temperaturas mais baixas, as larvas morriam congeladas em apenas duas noites.Existem tantos insetos hoje que alguns comportamentos foram alterados. Eles frequentemente buscam árvores menores e mais jovens em relação às que atacavam no passado, ou até mesmo árvores saudáveis.
Besouros costumavam nascer durante duas semanas em julho. Agora eles nascem no início de maio e continuam até outubro.“Trata-se de um fenômeno em escala continental”, diz Dan Tinker, professor de ecologia florestal na Universidade de Wyoming. Não existe um final previsível para a epidemia, afirma Diana. “Se for algo guiado pelo clima”, pondera, “precisamos reverter as mudanças climáticas”.
(Fonte: G1)

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