"É muito difícil ensinar valores científicos como da originalidade, criatividade, exigência, aprendizagem e inovação"
Eloi S. Garcia é cientista do Instituto Oswaldo Cruz, foi presidente da Fiocruz, é membro da Academia Brasileira de Ciências e assessor da presidência do Inmetro. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
Nos quarenta e cinco anos que tenho passado no laboratório, tendo sido orientado pelos professores Fernando Braga Ubatuba (já falecido) e Jorge Guimarães (atual presidente da Capes) e orientado inúmeros estudantes, aprendi muitas coisas. Entre elas, que fomentar a criatividade e a habilidade de estudantes de pós-graduação necessita de esforços e exigências por partes dos orientadores e dos alunos. Não podemos perder os talentos existentes nos laboratórios.
Fazer ciência e orientar deve ser um caso de amor. Sem se apaixonar não pode ser cientista nem orientador. A razão de se apaixonar é a curiosidade de saber o que nossos alunos serão. Imagino um país onde estudantes bem educados e formados possam substituir os "velhos" cientistas e construir um futuro melhor para a sociedade.
Na minha convivência com colegas orientadores tenho visto de tudo, uma variação que vai aos extremos: dos excelentes aos péssimos orientadores. Na minha experiência de orientador pude sentir na pele como é difícil lidar com pessoas, principalmente alunos de pós-graduação (mas não somente eles). Aprendi por exemplo que nada é tão sensível como o equilíbrio e serenidade de pessoas de diferentes formações e das adversidades inerentes às atividades de um laboratório de pesquisa.
É muito difícil ensinar valores científicos como da originalidade, criatividade, exigência, aprendizagem e inovação. Aprendi também que, por muito complicadas que apareçam as coisas, nunca devemos lamentar e deixar no ar algum ponto negativo nessa relação orientador-orientado, pois isso não leva a nada, e pode dificultar essa relação. Pelo contrário, pode fechar as janelas da liberdade do pensamento e da percepção da importância da relação orientador-orientado.
Três aspectos na vida de um bom orientador parecem singulares: primeiro, preferir sempre a cooperação a competição. Essa colaboração permitirá avanços no conhecimento e da aprendizagem mais rapidamente. Segundo, porque do avanço do conhecimento e da boa formação deriva novas maneiras de pensar, de criar. E terceiro, é sempre ter alunos ao seu lado sendo estimulados constantemente a serem inovativos e empreendedores.
Os nossos estudantes deverão ser melhores do que nós. Devemos passar a eles tudo que sabemos e estimulá-los a busca do novo, do original. Essa é a única forma de aumentar a credibilidade da ciência em nosso país. Não podemos cair no que já dizia Garcia Marques de si mesmo: "Desde muito pequeno tive que abandonar minha educação, para começar a ir à escola".
Eloi S. Garcia é cientista do Instituto Oswaldo Cruz, foi presidente da Fiocruz, é membro da Academia Brasileira de Ciências e assessor da presidência do Inmetro. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
Nos quarenta e cinco anos que tenho passado no laboratório, tendo sido orientado pelos professores Fernando Braga Ubatuba (já falecido) e Jorge Guimarães (atual presidente da Capes) e orientado inúmeros estudantes, aprendi muitas coisas. Entre elas, que fomentar a criatividade e a habilidade de estudantes de pós-graduação necessita de esforços e exigências por partes dos orientadores e dos alunos. Não podemos perder os talentos existentes nos laboratórios.
Fazer ciência e orientar deve ser um caso de amor. Sem se apaixonar não pode ser cientista nem orientador. A razão de se apaixonar é a curiosidade de saber o que nossos alunos serão. Imagino um país onde estudantes bem educados e formados possam substituir os "velhos" cientistas e construir um futuro melhor para a sociedade.
Na minha convivência com colegas orientadores tenho visto de tudo, uma variação que vai aos extremos: dos excelentes aos péssimos orientadores. Na minha experiência de orientador pude sentir na pele como é difícil lidar com pessoas, principalmente alunos de pós-graduação (mas não somente eles). Aprendi por exemplo que nada é tão sensível como o equilíbrio e serenidade de pessoas de diferentes formações e das adversidades inerentes às atividades de um laboratório de pesquisa.
É muito difícil ensinar valores científicos como da originalidade, criatividade, exigência, aprendizagem e inovação. Aprendi também que, por muito complicadas que apareçam as coisas, nunca devemos lamentar e deixar no ar algum ponto negativo nessa relação orientador-orientado, pois isso não leva a nada, e pode dificultar essa relação. Pelo contrário, pode fechar as janelas da liberdade do pensamento e da percepção da importância da relação orientador-orientado.
Três aspectos na vida de um bom orientador parecem singulares: primeiro, preferir sempre a cooperação a competição. Essa colaboração permitirá avanços no conhecimento e da aprendizagem mais rapidamente. Segundo, porque do avanço do conhecimento e da boa formação deriva novas maneiras de pensar, de criar. E terceiro, é sempre ter alunos ao seu lado sendo estimulados constantemente a serem inovativos e empreendedores.
Os nossos estudantes deverão ser melhores do que nós. Devemos passar a eles tudo que sabemos e estimulá-los a busca do novo, do original. Essa é a única forma de aumentar a credibilidade da ciência em nosso país. Não podemos cair no que já dizia Garcia Marques de si mesmo: "Desde muito pequeno tive que abandonar minha educação, para começar a ir à escola".

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