Adeus às espetadas de seringas. O futuro da injeção de vacinas está em um adesivo microscópico colado à pele, mais econômico e eficiente do que a forma usada hoje para ativar o sistema imunológico. A nova tecnologia foi apresentada ontem em Edimburgo durante o Fórum TEDGlobal.
A quantidade de vacina demandada pelo adesivo é 100 vezes menor do que a aplicada com a seringa. Com isso, seu preço pode ser reduzido em até dez vezes, facilitando seu acesso nos países em desenvolvimento. O novo produto também evita a possibilidade de contaminação causada por instrumentos sujos.
Milhares de pequenos fragmentos do adesivo entram em contato com células epidérmicas. A vacina penetra no organismo em sua forma seca e mais eficiente.
A resistência da nova tecnologia a uma temperatura de até 23 graus Celsius é mais um diferencial. As vacinas tradicionais, normalmente líquidas, precisam ser refrigeradas no transporte entre laboratório e clínicas.
- O produto desenvolvido resolve problemas como o visto na África, onde metade das vacinas não pode ser administrada corretamente porque, em algum estágio, há problemas com sua refrigeração - destacou Mark Kendall, professor da Universidade de Queensland, na Austrália, e coordenador da pesquisa com o adesivo.
Teste na Oceania
Para Marcos Freire, vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico de Biomanguinhos (Fiocruz), a maior acessibilidade às vacinas seria o maior triunfo da pesquisa.
- Vacinas tradicionais podem precisar de congelamento a -20 graus Celsius, o que dificulta significativamente sua viagem até a savana, por exemplo - ressaltou. - A facilidade da aplicação no paciente desta nova tecnologia é outro mérito. Nem todos sabem manusear uma seringa. Por outro lado, colar um adesivo em um braço não exige muito preparo.
Em entrevista à rede BBC, a secretária de Educação da Sociedade Britânica de Imunologia, Diane Williamson elogiou o método desenvolvido por Kendall.
- Será mais fácil promover uma campanha de vacinação em larga escala - lembrou. - Precisamos conferir o tempo que o antígeno leva para ativar o sistema imunológico. Assim, conseguiremos assegurar que houve uma entrega adequada do conteúdo da vacina. E também precisamos investigar se o adesivo pode provocar uma intolerância no organismo.
Os adesivos serão testados em breve em Papua Nova Guiné, na Oceania, país com baixo estoque de vacinas e de maior ocorrência no mundo do vírus HPV, que pode causar câncer cervical.
(Renato Grandelle / O Globo)

0 Comentários
Olá, agradecemos sua visita. Abraço.