|
Encontrada
com ajuda da internet, variedade é a primeira identificada em meio século.Olhar
para o céu anda mais divertido para amantes e estudiosos das nuvens.
Todos em
busca de mais uma imagem daquela que pode se tornar a primeira nova variedade
descrita desde 1951. Batizada de undulatus asperatus (onda agitada), a nuvem
foi registrada pela primeira vez em 2006 em Iowa, nos EUA. O autor da foto
enviou-a para a Cloud Appreciation Society (CAS), e, de lá para cá, "a
coisa virou viral, recebemos muitas outras imagens de vários locais do mundo,
inclusive do Brasil", relata Gavin Pretor-Pinney, fundador da sociedade
britânica dos apreciadores de nuvens.
Pretor-Pinney
e outros especialistas vêm fazendo lobby para que a undulatus seja
reconhecida oficialmente, o que pode acontecer no fim deste mês, após
congresso, em Genebra, da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
"A
gente quer que eles atualizem o Atlas Internacional das Nuvens, que não é
modificado desde 1975. Se a undulatus for incluída, será o reconhecimento da
"nuvem do povo na era virtual", já que ela foi registrada por
pessoas comuns e descoberta por causa da internet. É uma forma moderna de
fazer ciência", anima-se Pretor-Pinney, autor de "Guia do
observador de nuvens" (Intrínseca).
O
parecer da Sociedade Real de Meteorologia britânica já foi favorável - após
trabalho da CAS com cientistas da Universidade de Reading, na Inglaterra. Um
deles, o meteorologista Graeme Anderson, elaborou uma tese sobre as condições
para a formação da nuvem. Conclui que são as semelhantes às do tipo conhecido
como mammatus (uma nuvem associada a tempestades, do gênero estratocúmulo),
mas com ventos mais intensos moldando o vapor d'água em redemoinhos
ondulados. A nova nuvem se diferencia das demais pelo formato e a velocidade
com que se move, promovendo ondulações.
"Pode
ter algo a ver com locais frios também", diz o meteorologista gaúcho
Bruno Ribeiro, que faz mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe) e registrou, em fotos e vídeos, uma undulatus asperatus no início do
ano em Pedro Osório, no Rio Grande do Sul. "Fiquei mais de meia hora
gravando, a nuvem passou pela cidade por cerca de uma hora, bem ondulada e se
mexendo muito, antes de ir em direção ao mar. Logo depois passou uma frente
fria", conta.
Além de
Iowa e Rio Grande do Sul, a nuvem já foi registrada em países como Escócia,
Noruega e França. Mário Festa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e
Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), já viu a nuvem em
São Paulo.
"Ela
impressiona pelo tamanho, é uma nuvem baixa, dá uma sensação assustadora e se
move rapidamente. Tem gente que defende que ela seria de um novo gênero. Mas
tenho dúvidas, acho que é mesmo uma variedade de estratocúmulo como é a
mammatus", acredita o meteorologista, dizendo, no entanto, entender a
comoção em torno da nova nuvem porque "ela chama atenção e aparece
raramente".
O
cientista da USP ainda não conseguiu associá-la a nenhum fenômeno climático
específico. Segundo ele, a ondulação se acentuaria mais graças à intensidade
dos ventos. Como as nuvens são a principal fonte de estudos da atmosfera -
dada a sua relação com o vapor que sobe e condensa -, o eventual
reconhecimento de um novo tipo pela OMM seria de enorme importância para a
ciência.
De
acordo com a organização, existem dez gêneros principais de nuvens,
subdivididos em variedades, dependendo de suas formas e estruturas internas.
A mais conhecida é a cúmulo, vista em dias de tempo claro. Já a cúmulonimbo,
mais densa e potente, é temida por causar tempestades.
A CAS
possui mais de 30 mil integrantes e lançará, no ano que vem, um aplicativo de
celular e tablet pelo qual a foto tirada de um observador será diretamente
enviada à Universidade de Reading para análise. "A observação das nuvens
é um importante meio de documentar efeitos de mudanças climáticas no céu.
Nuvens podem oferecer respostas sobre temperatura e tempestades nos próximos
anos", diz Pretor-Pinney.
(O
Globo)
|
0 Comentários
Olá, agradecemos sua visita. Abraço.