Camundongos
são capazes de aprender canções com base nos sons que escutam, afirmam
pesquisadores americanos.
Segundo
novos estudos publicados no periódico “PLoS ONE”, quando camundongos
compartilham o mesmo espaço, eles aprendem a modular seus tons de voz entre si.
E têm mecanismos cerebrais e comportamentais semelhantes a humanos e pássaros
no que diz respeito à aprendizagem vocal.
Mas
alguns acadêmicos se dizem céticos quanto à pesquisa, alegando que as provas
são insuficientes para tais conclusões. Pesquisas prévias nesse campo haviam
mostrado que camundongos machos seriam capazes de cantar canções complexas
quando diante de fêmeas, e essas canções seriam uma parte importante do
“namoro”.
Essas
“serenatas” são ultrassônicas – entre 50 e 100 Khz, muito além dos tons que
podem ser captados pelos humanos. Quando esses sons são processados para se
tornarem audíveis ao ouvido humano, eles soam como uma série de assobios de
lamento.
Habilidade rara – Há tempos já se presume que camundongos
seriam incapazes de mudar a sequência de seus tons de voz. Essa habilidade,
chamada de aprendizado vocal, é rara na natureza – é restrita a alguns
pássaros, como papagaios, a baleias, golfinhos, leões-marinhos, morcegos e
elefantes.
Mas, nos
experimentos recém-divulgados, pesquisadores da Universidade de Duke (EUA)
afirmam ter descoberto que os camundongos têm tanto os circuitos cerebrais como
os atributos comportamentais para o aprendizado vocal. O cientista Erich
Jarvis, que supervisionou o estudo, disse à BBC que as descobertas mudaram seu
entendimento a respeito de como os camundongos produzem sons.
“Descobrimos
que, nos camundongos, os caminhos que estão ao menos modulando essas
vocalizações estão no prosencéfalo, como em humanos”, afirmou.
Jarvis
fez a ressalva de que o estudo não apresenta provas claras de que os
camundongos têm exatamente a mesma habilidade vocal que pássaros e humanos. Mas
avalia que há um espectro de diferentes graus de habilidades para diferentes
espécies. “Acreditamos que os camundongos estejam em um estágio intermediário
de habilidade, entre uma galinha e um pássaro, ou mesmo entre um primata
não-humano e um humano”, afirmou o cientista.
Viver em harmonia – Quando camundongos machos com diferentes
tons vocais foram colocados no mesmo ambiente, descobriu-se que seus tons
gradualmente se equilibraram após cerca de oito semanas.
Segundo
Jarvis, trata-se de uma evolução importante. “Ao colocarmos uma fêmea na gaiola
com dois machos, descobrimos que um macho mudou seu tom para ficar parecido com
o do outro”, diz o pesquisador. “Em geral, o animal menor muda seu tom para se
equiparar ao animal maior.”
Mas nem
todos os cientistas concordam. Kurt Hammerschmidt, especialista em comunicação
vocal no Centro Primata Alemão, em Goettingen, lançou dúvidas a respeito das
descobertas do estudo sobre camundongos machos. “A história de convergência de
tons é pouco convincente”, afirmou.
Jarvis
rebateu dizendo que o ceticismo é infundado. “A reclamação (de Hammerschmidt) é
de que não usamos animais o suficiente, mas descobrimos isso (a convergência de
tons) em 12 pares de camundongos. Ao menos sob o nosso ponto de vista, isso é
confiável e estatisticamente significativo”, disse.
(Fonte:
G1)

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