Universitários criam sistema para esterilizar instrumentos médicos com luz solar

Estudantes de engenharia da Universidade de Rice, nos Estados Unidos, descobriram uma forma de utilizar o calor do sol para esterilizar instrumentos médicos em locais onde não há equipamentos e tecnologias disponíveis, como aldeias rurais e países em desenvolvimentos.


Para isso eles utilizaram o Capteur Soleil, um dispositivo criado há décadas pelo inventor francês Jean Boubour, para capturar a energia do sol em locais onde a eletricidade ou o combustível é de difícil acesso, e anexaram nele uma caixa térmica com um esterilizador adaptado, transformando o aparelho em um “salva-vidas em potencial”.

O Capteur Soleil se parece com um balanço de jardim ultramoderno. As traves de aço carregam placas de espelhos curvos, que produzem vapor ao direcionar a luz do sol para um tubo de ferro instalado na parte superior da estrutura. A grande ideia da equipe foi redirecionar o vapor para aquecer uma placa condutora projetada especialmente para a invenção.


"Ele vira um fogão, basicamente, e é possível aquecer qualquer coisa que você precisar", disse Sam Major, estudante da universidade e um dos autores da pesquisa. "Quando o esterilizador atinge 121 graus Celsius durante 30 minutos (o padrão estabelecido pelo Centers for Disease Control and Prevention), tudo deve ser estéril, e nós achamos que somos capazes de fazer isso muito facilmente", afirmou.

Segundo Major, com um sol forte de meio dia é possível dar início ao processo com uma exposição de 40 minutos a uma hora. O esterilizador, que lembra uma panela de pressão, possui uma cesta de vapor na parte de dentro para facilitar a limpeza. “Colocamos cerca de 2,5 cm de água dentro, e depois colocamos a cesta com os instrumentos e seringas", contou Major.

"Nós usamos alguns esporos biológicos de um kit de teste, colocamos eles no vapor, os incubamos por 24 horas e os resultados mostraram crescimento biológico negativo. Isso significa que nós matamos o que estava lá dentro", informou.

Apesar dos bons resultados, os estudantes contam que esse é apenas o passo mais recente de um projeto muito maior. “Nós já temos uma versão do Soleil Capteur sendo usada no Haiti para cozinhar, mas achamos que podemos fazer mais", conclui Doug Schuler, assessor da equipe docente e professor da Jones Rice Graduate School of Business.

(Ecod)

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