Lua de Saturno tem vulcões de gelo

Nave revela que montanhas de Titã ejetam gases congelados em vez de lava

A sonda Cassini, da Nasa, encontrou supostos vulcões de gelo na principal lua de Saturno, Titã. As estruturas descobertas têm forma semelhante àquelas que, na Terra, lançam lava. Os dados topográficos e da composição da superfície da Titã permitiram aos cientistas, em um encontro na União Geofísica Americana, comparar o fenômeno com o registrado na Terra.

- Quando olhamos nosso mapa tridimensional da região de Sotra Facula, na lua Titã, nos surpreendemos pela semelhança dos vulcões com os existentes na Itália ou na Islândia, por exemplo - revela Randolph Kirk, que integra a equipe responsável por monitorar a Cassini e líder do mapeamento 3-D.

Os cientistas debatem há anos se vulcões de gelo, também chamados de criovulcões, existiriam em luas ricas em gelo, e que características teriam. Segundo os estudos, uma espécie de atividade geológica subterrânea aqueceria suficientemente o ambiente gelado para derreter parte do interior do satélite e mandar gelo fofo ou outros materiais através de uma abertura na superfície.

Os outros astros que apresentam vulcões ativos - Io (outra das maiores luas de Júpiter) e a Terra - expelem rocha derretida. Já as formações de Marte estão extintas há milhões de anos.

Alguns criovulcões têm pouca semelhança aos vulcões terrestre. Em Sotra, a existência de criovulcanismo é considerada a melhor explicação para dois picos com mais de 900 metros de altura.

A sonda Cassini também transmitiu imagens de um ciclone do tamanho da Europa chicoteando Saturno por cinco anos, tornando-se o mais duradouro fenômeno desse tipo já visto entre os maiores planetas do Sistema Solar.

Um grupo de pesquisadores espanhóis está monitorando a passagem do fenômeno. Sua longevidade é muito maior do que a geralmente observada.

A equipe espanhola analisa desde 2004 suas estruturas horizontal e vertical. A Nasa só divulga imagens transmitidas por Cassini com um ano de atraso. Portanto, o material mais recente disponível para os cientistas é de 2009, e eles não sabem se o ciclone gigantesco ainda está ativo.

(O Globo)

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