segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Curso ensina jornalismo para alunos do nível médio

O lide, na linguagem jornalística, é o primeiro parágrafo, onde ficam as informações mais importantes do texto. Também fazem parte de uma matéria a apuração dessas informações, a busca pelas personagens, a comprovação de dados em fontes oficiais e, é claro, a própria redação. Além das reportagens, existem diversas outras maneiras de lidar com a notícia: por meio de vídeos, documentários e infográficos. 


A Rede Énois - escola para jovens do ensino médio que relaciona educação e comunicação - criou um curso on-line e gratuito de comunicação que pretende ensinar todas essas coisas e até um pouco mais. Para Amanda Rahra, uma das coordenadoras da rede e do projeto, "aprender jornalismo também significa aprender a descobrir o mundo".

O primeiro módulo do curso, que já conta com 11 videoaulas, será destinado ao ensino da produção de videodocumentários. Como diz a própria apresentação, antes de apertar o REC da câmera, é preciso saber de algumas coisas. Por conta disso, já nesse material, o usuário será apresentado a conceitos do jornalismo, a processos de criação de uma pauta, a busca pelas informações e a criação do roteiro.
"O jornalismo é uma maneira muito eficiente para explorar um tema. Se o estudante está pensando em fazer medicina ou veterinária, por exemplo, ele pode usar o jornalismo como ferramenta para conhecer esse universo e saber se é isso mesmo que ele imaginava", explica Rahra, que acredita que a técnica só se desenvolve bem com a prática. Sendo assim, a ideia desse primeiro módulo é fazer com que os alunos saibam o que fazer com as informações que têm em mãos- ou as que desejam ter - para criar, neste caso, um documentário.
Mas aqueles que ainda não sabem qual assunto vão abordar para a criação do seu vídeo não precisam se desesperar. Na plataforma, os usuários vão encontrar uma seção chamada Inspirações para Produção de Conteúdo Hiperlocal, que, como o próprio nome diz, quer inspirar os usuários por meio da apresentação de possíveis temas. 
O primeiro vídeo, que trata de jornalismo e educação, segue o mesmo padrão leve e divertido das outras videoaulas. Nesse pequeno documentário, os usários serão apresentados a um exemplo de execução de uma pauta. "Nosso objetivo, acima de tudo, não é formar só jornalistas, mas sim jovens capazes de fazer melhor suas próprias escolhas", afirma.
Democratização e colaboração: novos caminhos da informação
Um dos papéis da Énois é o de formar jovens para produzirem conteúdos de qualidade sobre os lugares em que vivem, sobre suas próprias realidades. Para Amanda, são esses garotos que têm nas mãos a capacidade de apontar os problemas e possíveis soluções que as pessoas de fora não enxergam. 
Empoderá-los para a criação de materiais de qualidade é sinônimo de democratização. Democratização que vai além das possibilidades que a internet oferece de criação de blogs, sites e páginas nas redes sociais. Aqui, esse termo significa ter propriedade para transmitir sua mensagem e atingir o alvo desejado.
Para Adriana Garcia, jornalista e idealizadora do OrbitaLab - um venture lab de inovação em mídia recém-criado em São Paulo -,  esse é um dos pontos de discussão dessa nova era do jornalismo. "Nossa profissão está passando por uma crise de identidade, já que todo mundo é produtor de conteúdo, todo mundo tem um blog, então vai acontecer um achatamento, porque tem muita gente oferecendo muita coisa", explica. Entretanto, segundo ela, o jeito não é afastar essas pessoas, mas treiná-las para que possam fazer um bom trabalho.
Um dos primeiros passos para começar a trilhar esse treinamento é mudar o pensamento de que o erro é um problema, algo assustador. "Se você quer inovar, ter medo de errar é um problema, porque tanto na inovação quanto no empreendedorismo, as descobertas são feitas a partir dos erros, das derrotas, das transformação de um fracasso anterior em uma mudança de direção", diz Garcia. E errar só vai deixar de ser algo tão temido quando a comunidade jornalista aprender a ser mais colaborativa.
Colaboração que a Énois conhece bem. Com uma rede de mais de 150 mini-jornalistas, formados em comunicação e produtores de conteúdo, a iniciativa aposta na inteligência e no engajamento dos jovens. "Por isso resolvemos ir para EAD (educação a distância), porque nosso sonho é ter muitos meninos formados no Brasil todo para que a gente possa selecionar e até trazer para trabalhar com a gente. Queremos formar um jovem que seja capaz de contar boas histórias", afirma Rahra.
E é exatamente este o ponto que Garcia pretende chegar. Para ela, o jornalismo nada mais é do que a arte de contar histórias, de contar o que aconteceu no dia. É também a habilidade de lidar com as mais variadas percepções de tempo e de sentimentos. "Tem muita gente que ainda não tem sua história contada e se você não tem história, não tem identidade. À medida que você ajuda pessoas a narrarem suas vidas, você está fazendo mais do que jornalismo, você vai atender uma necessidade de ajudar as pessoas com faixas de renda mais baixas a terem o direito de representação. O direito de existir", afirma.
(Revista Ache seu Curso Aqui)